Faculdade de Letras: Você vai ser professora?

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Há dois anos eu estava em uma dúvida cruel. Letras ou Jornalismo. Jornalismo ou Letras. Professora: ser ou não ser, eis a questão?

Em primeiro lugar, se você não gosta de ler, a faculdade de letras será uma sessão de tortura diária. Se você gosta de ler ou escrever, estamos no caminho. Quando entrei em 2012 na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), achei que seria uma tradutora de mandarim.

SIM.

Eu pensava que em três anos sairia formada em Tradução e durante os três anos estudaria externamente Mandarim (nem inglês eu falo direito). Bom, depois de alguns choques de realidade, eu vi que inglês não era pra mim, muito menos as matérias de tradução, como eu detestava fazer aquelas matérias. Então, eu pensei com meus livros, porque não partir para Licenciatura em Língua Portuguesa.

Pois é, tá aí uma coisa que eu sempre, SEMPRE, gostei muito de fazer: estudar a língua portuguesa e escrever. Unir o útil ao agradável não seria má ideia e, se eu tivesse escutado minha mãe há dois anos já estava formada em Licenciatura.

Aí muitas pessoas param e me olham com uma cara de espanto:

– Licenciatura? 😦 Vai ser professora?

*Logo depois vem um “coitada”*

Venk,tá tudo bem… Deixa eu te contar um segredo? Só nosso, em?

Meus pais são e sempre foram professores, além de se envolverem com a educação, sempre. Mamãe hoje é supervisora de ensino, papai já foi professor em universidade e hoje só advoga. Minha irmã dá aula de francês, oui!

Bom, agora a resposta da pergunta que tanto me fazem:

Sim, eu serei professora (já faço estágio em uma escola estadual), mas não só isso. Descobri uma paixão imensa: revisar textos. É, eu trabalho em uma Editora com isso e cara, como eu amo o que faço, de verdade. Algumas pessoas tem um prazer imenso quando sentam para tocar um instrumento, outras preferem ficar fazendo cálculos malucos e há quem prefira salvar vidas em tempo integral.

Eu tento salvar a gramática e não toco nenhum instrumento (apesar de ter feito violão cinco anos), mas gosto muito de fotografia 🙂

Algumas coisas que você precisa saber sobre a faculdade de Letras:

– Pode ser fácil de entrar, quero ver você sair

– DPs são coisas que fazem parte da realidade de qualquer estudante, nota não diz muito sobre você, quando na verdade o que importa é seu esforço e sua compreensão acerca da matéria.

– Os professores são legais e muitos irão se tornar espécie de pai e mãe

– A faculdade vira sua segunda casa, você passa muito tempo no laboratório digitando trabalhos

– Você vai precisar daquele cofrinho de moedas que achou que não servia para nada, xerox é uma coisa muito cara, de 0,10 em 0,10 centavos você vai falir ao fim do mês, acredite.

– Pasta para guardar textos e trabalhos é uma coisa que você irá usar muito

– Cadernos bonitinhos do Ursinho Pooh ou das princesas da Disney são um peso a mais, você não terá tempo para realmente anotar as coisas de forma linda, leva uma caderneta, rascunha e já era, deixa o capricho para quando chegar em casa.

– Desapegue das pessoas, nem sempre sua turma da formatura será a do início, as pessoas mudam e desistem, param e voltam. Desapega (só não vende na OLX)

– Caneta é uma coisa tão importante quanto apontador, você verá a tinta acabar rápido demais pela quantidade de coisas que escreve em apenas um dia.

– A biblioteca nunca pareceu tão interessante e os sebos são realmente o ápice da economia.

– Não acredite quando seu professor diz que vocês lerão realmente todos os 5 livros no semestre, a lista em geral para no 3º

– As matérias de educação? Algumas interessantes, outras nem tanto, é tudo relativo.

– Literatura? Sou suspeita para falar pois é minha paixão, mas vai fundo, é incrível.

– Você encontrará pessoas muito parecidas com você, com ideias que vocês poderão compartilhar ao longo de incríveis 3 anos.

– AH, uma das coisas mais importantes: talvez você não se forme em 3 anos, lide com isso.

Bom, essa foi a lista básica de coisas que um estudante de Letras passa no diariamente. Sinceramente? Não me arrependo da faculdade que escolhi. O que eu pretendo ser quando crescer? Continuar em editoras, revisar textos e dar aulas! Se você gostou da lista, se identificou, parabéns! Você será mais um vestibulando de Letras. É um mundo surreal, você estuda de tudo um pouco: filosofia, literatura, linguística, origem das palavras, significado delas e claro, aflora sua vontade de escrever.

Não se importa com quem diz: coitada, será professora.

Siga o seu sonho, seja feliz, não desista (palavras motivacionais).

Crise universitária

Todos os nossos sonhos podem virar realidade, se nós
tivermos coragem para persegui-los (Walt Disney)
– Entrei no curso que escolhi e não gostei, e agora? Falo para meus pais que vou largar a faculdade? Meu pai ficou anos naquele emprego só pra sustentar as mensalidades do cursinho, vai me dar o maior esporro! 
Esse questionamento é muito natural entre os universitários, principalmente aqueles que entram cedo demais na faculdade, com 17… 18 anos, quando apenas saíram do Ensino Médio. Muitas vezes escolhemos nossas profissões por tradições na família do tipo: “Titio é engenheiro, papai é arquiteto e mamãe é engenheira. Vou fazer engenharia porque já tenho emprego garantido.” Decidir com apenas 18 anos o que você fará pelo resto da vida é uma decisão muito difícil de se tomar. 
PS: engenheiro, médico e advogado não são as únicas profissões do mundo. Há uma infinidade de coisas que você pode fazer; eu mesma nem imaginava que existia um curso de editoração. 
Em 2010 me formei no ensino médio com 18 anos, depois fui direto para o cursinho e em 2011\2012 entrei na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no curso de Letras. Escolhi como carreira o bacharel em tradução, falava que seria tradutora de mandarim (mal falava inglês), falava que eu JAMAIS daria aula, pisaria em uma sala de aula “porque professor nesse país é tratado igual lixo”, em 2013 mudei para a Licenciatura do Português depois de pegar 3 dependências em inglês. É, acho que aqueles cursos online e os anos de CNA não adiantaram muito, né?  
Hoje, 05 de Fevereiro de 2014, cá estou em Santos sentada no escritório da casa do meu pai, estudando (e escrevendo esse texto) para a Universidade de São Paulo. Havia decidido por imediato que ia continuar na Letras e escolher só uma segunda opção qualquer… porque sabe, tem de se escolher uma segunda opção. (Me corrijam se eu estiver enganada, em 2011 eram duas opções). Eis que abro a página da USP e me deparo com o curso de Editoração. 
Em São Paulo, onde moro atualmente, eu passei por diversos empregos até chegar nas editoras SESI-SP e SENAI-SP. Cara, foi o trabalho mais incrível que eu já tive até hoje e no fim foi mais que um estágio, foi incrível e eu conheci pessoas sensacionais. Conheci desde jornalistas até escritores e pessoas que fizeram Letras na USP. Entre muitas conversas em Novembro de 2013 me encontrei no meio de uma crise interna: Letras ou Jornalismo. 
Decidi sair da PUC porque além de não estar contente com as mensalidades eu não tava lá MUITO animada com o curso lá dentro especificamente, olhei a grade da USP e tem uma diferença gritante de um curso em uma e outra faculdade. Sabe, eu decidi parar… Eu sei que milhares de jovens não tem a mesma oportunidade que eu de estar cursando uma faculdade particular, parar tudo só pra fazer cursinho para entrar na Universidade de São Paulo, eu sei disso… Ninguém precisa me dar sermão, meus pais me ensinaram coisas valiosas nesse ponto e eu já tinha consciência disso há muito tempo. Depois de muito tempo eu paguei a minha língua. Quero sim um dia dar aula, quero sim ser professora de português e quem sabe trabalhar em uma editora. Não sei ainda qual será o desfecho desse ano, afinal ele mal começou. Só sei de uma coisa: Recomeçar é muito bom, vale a pena. Eu quero fazer o que me faz feliz e talvez seja editoração mesmo. 
Escrevi tudo isso pra falar pra você, cara(o) leitora(o) que: crises são comuns, principalmente essa de “o que ser quando crescer”. Muitas pessoas se prendem, não recomeçam por insegurança em relação ao tempo que elas vão gastar estudando tudo de novo e levando 4 ou 5 anos pra se formar no que realmente gostariam. Recomece se você pode, experimente! A receita é mais ou menos como quando a gente é criança e não gosta de legumes… Vai experimentando aos poucos até que uma hora você gosta e até encontra seu legume preferido. Conheço várias pessoas que fizeram um trilhão e quatrocentos mil cursos técnicos e começaram 2, 3 faculdades… Largaram todas até mesmo pra voltar para a primeira. Lembre-se sempre: existem muitas pessoas que gostariam de ter oportunidades iguais a suas de poder cursar o que bem entender, fazer um cursinho legal e uma faculdade boa. Se você tem essa chance, agarre-a com todas as forças. 
PS: Ser professor é uma arte, quem sabe é o professor do futuro que iguale as escolhas das pessoas, fazendo com que um dia todos tenham a oportunidade de estudar em boas universidades. 

O segredo do passado

O medo que temos de olhar para trás é enorme. Sentimos uma pontada no peito, sempre que falamos do que terminou. Há quem diga que não faz bem reviver o que ficou lá pra trás, que “passado é morto e enterrado, o que importa é olhar para frente”. Outro dia, vi uma amiga comentar, a respeito do aniversário dela: “Não lembro direito nem o que aconteceu de 2007 pra cá e já é muita coisa”. Bom, pra você que não me conhece, nasci em 93. Algumas pessoas ficam bem assustadas com isso, talvez pelo fato de elas serem mais velhas e terem nascido, não sei, dez anos antes.
Você lembra quantas vezes já chorou na vida? E das vezes que deu risada até suas bochechas doerem? Eu acho que mais ri do que chorei na vida, ainda bem, até nos momentos de desespero. Lembra quando não existia internet? Eu lembro que ficava muito tempo no computador jogando Mário. Ah e a nossa infância? Foi muito boa, né? Aquelas pilhas intermináveis de gibis pra ler… As tardes na casa da tia, vó, vô! Depois veio a adolescência… Aquela fase horrível, rebelde e que parece que tudo é o fim do mundo ou que o mundo está contra você. As primeiras amizades que até hoje duram, os primeiros namorados que hoje a gente não quer nem escutar falar o nome, mas foram eles que fizeram com que a gente ficasse mais forte, menos birrenta, menos chata e mais madura. 
Fico pensando sobre a minha vida, relembrando os meus erros e as vergonhas que já passei. Não tenho vergonha nenhuma de relembrar que, na 5º série por exemplo, eu fui dar o casaco para uma amiga, mas esqueci que não tinha nada por baixo, foi muito rápido, mas a classe como era pequena, viu HAHAHAHA! Não tenho pudor de dizer isso, pois hoje dou boas risadas da situação, apesar de no dia ter sido muito constrangedora. 
É legal ver quantas coisas aconteceram desde então, de quantas cores já pintei minha unha – lembro que no ensino médio, pintava uma de cada cor, minha mãe queria morrer de vergonha, mais ainda quando eu resolvi pintar de fosco, parecia errorex ou branquinho -, quantas vezes cortei meu cabelo e da vez que cortei sozinha em casa, e a moça do salão disse: Senhora, não deixe nunca sua filha ser cabeleireira. Perdi a conta de quantas vezes já me depilei e de quantas vezes fiz a sobrancelha, sem contar que, não contente em ter feito o cabelo sozinha em casa, já quis fazer a sobrancelha, mas essa ficou menos trágica (acho que porque é uma quantidade menor a tirar).
Gosto de lembrar do meu primeiro estágio em São Paulo, me contrataram na semana da páscoa e fui demitida em uma semana afinal… Eu tinha uma família para ver e passar a páscoa junto; Só não imaginava que nunca mais veria meu emprego e salário! Nunca mais disse não pro meu emprego, já cresci muito depois disso e hoje, tenho um estágio na minha área e essa talvez seja a maior realização depois da faculdade. 
Perdi a conta de quantas vezes pulei sete ondas, sem contar das ceias de família em Natal e Ano Novo, os aniversários… Quando penso que já apaguei 20 velas… Meu Deus… Quanta pólvora, não? HAHAHAHA
Lembro do dia que caí de bicicleta em cima de um cara que ia voar de paraglider; eu tinha 8 anos, acabara de subir na bicicleta pela primeira vez. Meu pai queria morrer de vergonha e o cara, matar ele. 
Adoro olhar para a minha marca de ferro no braço. Foi quando eu sentei uma vez, na tábua de passar roupa
com a moça que cuidava de mim e, sem querer ela me queimou. Eu adorava me enfiar no armário da cozinha, tirava todas as latas, empilhava e ficava escondida; assim como quando me enrolava na cortina… Minha mãe ficava louca da vida! Hoje não posso abaixar desse jeito por conta da minha coluna, muito menos enrolar na cortina, até porque aqui em São Paulo, não há cortina em minha casa.
Relatei essas coisas todas e ri muito lembrando de cada uma delas… Lógico que tem muito mais coisa pra contar, mas o legal é você sempre olhar para trás e ver que, com as experiências antigas pode aprimorar as novas… Quando a vida te dá um tranco, como foi com meu primeiro estágio, você já fica alerta pro próximo. A gente NUNCA sabe quando ele vem, e talvez não estejamos completamente prontos para o próximo, em questão de evitar que aconteça… Afinal não é do dia pra noite que você vai aprender uma coisa na vida, isso leva tempo e SÓ o passado pode te ensinar a olhar pra frente.
Afinal, pensa comigo, se você por exemplo tá em uma rua A querendo chegar na B e não tem certeza do caminho, mas tinha um bar na A, porque não voltar e perguntar no bar onde fica a rua B? Confuso, né? O sentimento que temos em remexer no passado, é confuso, mas é bom no final… Ele te ensina que algumas coisas na vida lá atrás foram ruins, mas dessa vez, podem ser melhores. Tudo se renova e, quando se renova, fica mais belo, mais forte e mais intenso. Talvez por isso que cada dia que passe, a impressão é de que a vida se arrasta um pouco mais, porque a intensidade das coisas é bela, igual uma flor que vai abrindo…
Olhar pro passado não é dolorido; Dolorido é olhar para frente sem saber no que você tropeçou. 🙂

20 conselhos após 18 anos

Na vida, temos a maldita mania de, principalmente na adolescência, sermos “rebeldes sem causa”, não escutando os maiores senhores da razão. 

1) Sempre escute seus pais, sempre. 
2) Cartões de crédito: Não queira perder seu sono e seu emprego, respectivamente. Então, não tenha. 
A vida é muito importante para ser levada a sério.
3) Planeje despesas fixas todo começo de ano, tenha a planilha atualizada e em seu e-mail. Esqueça o mapa astral, ou você acabará no “inferno vidal”.
4) Arrume um emprego assim que completar a maior idade.
5) Não tenha medo de mudar seus planos de estudo no meio da faculdade.
6) Você só saberá se fez a escolha certa do curso, após o primeiro semestre. 
7) Quando achar que já tentou de tudo e pensar em desistir, não desista. Afinal, olha onde você chegou. 
8) Se você desconfia que vai dar merda, ou tem certeza, evite com bastante antecedência. 
9) Não tenha vergonha de assumir os seus defeitos, são eles que farão você melhorar de vida, não financeiramente, mas interiormente. 
10) Faça o que você ama, não o que te der mais dinheiro. Ele é bom, para pagar conta, mas não é tudo. Ora, você pode ser milionário mas morrer antes dos 50, tendo feito o que mais detestava só pensando no dinheiro, ou se aposentar aos 50 e viver o dobro deles, tendo feito tudo mais devagar, porém com total satisfação profissional.
11) Carregue com você que, as coisas vão aumentar de preço sempre. 

12) Mantenha seus amigos de anos por perto, desconfie dos que se aproximam rápido demais de você.
13) O bom humor é a solução para tudo, acredite. É tipo trago seu amor em sete dias, só que funciona 😉
14) Faça uma loucura por dia. 
15) Guarde dinheiro em casa ou faça uma poupança se, um dia você quiser viajar, estudar mais ou caso você seja demitido. 
16) Conheça o interior, amadureça, antes de querer o exterior, isso também vale para o seu país. 
17) Não tenha medo de ser você mesmo e se permita se surpreender. 
18) Conheça banheiros sujos de bares imundos, há muito a aprender com eles. 
19) Ande a pé em sua cidade, não importando a distância .
20) Por último, mas o mais importante: Nunca esqueça, mesmo, do 1º conselho. Ele vale para a vida e vem de quem te deu ela, então… Sempre faça isso.