Depressão é frescura?

Foi em 2014 o primeiro sinal, as primeiras duas crises. Depois de um tempo, passou. Eu achei que tivesse passado, na verdade.

Em 2016 voltou tudo, voltou de uma forma pior, voltou junto com a ataques de pânico e pessoas me olhando e me julgando previamente. Hoje, depois de um tempo eu decidi que quero falar disso, quero falar e já te alerto, cara (o) leitora (or), esse é texto mais diferente que vou escrever para você, mas eu preciso falar algumas coisas que os médicos talvez não te falem ou, coisas que você anda sentindo e acha que é o único a sentir isso, quando não é, ok? Esse é um texto de auto ajuda, um texto para você ler e refletir.

Não conseguir sair de um banco foi o primeiro sinal, eu não conseguia sair pois achei que uma pessoa que estava parada na frente dele iria me assaltar; depois eu achei que o rapaz que passou grudado do meu lado jogando uma bolinha de tênis na mão também fosse me assaltar. Lembro de chegar transpirando na faculdade, depois de subir a ladeira da Rua Cardoso de Almeida em São Paulo.

Não conseguir entrar na rua de casa sozinha depois de ter, de fato, sido assaltada duas vezes e a segunda à mão armada foi o segundo sinal; o segundo sinal de alguma coisa estava fora do lugar.

Vou resumir, a partir daqui, pode ser? 🙂 

Antes de voltar para a casa dos meus pais eu passei uma semana na cama, uma semana sozinha na cama, uma semana com alguns dias dela sem tomar banho direito e outras vezes sem força para comer, para me alimentar, pois não via sentido nem nisso e muito menos em sair de casa para encarar as pessoas que eu conhecia há tempos, encarar e sentar num bar simplesmente, ali perto de casa mesmo e conversar sobre o dia, sobre a vida, sobre as cotidianísses.

A partir daqui eu, depois de ter ido ao médico e ter sido diagnosticada com bipolaridade e depressão (para quem não sabe a depressão é o outro lado da bipolaridade e existem DOIS níveis de bipolaridade, o meu é o mais leve).

Eu enxerguei por uma semana o que era a depressão e não gostei do que vivenciei, principalmente porque eu pensei nos meus pais e em como eles iriam se sentir caso me vissem naquele estado. Eu liguei chorando para a minha mãe dizendo que eu estava com saudade de casa, mas, na verdade, eu estava em depressão e não queria admitir; eu queria mesmo era pedir socorro por estar em depressão, mas, eu não podia deixar ela em pânico e sair de Santos em um dia da semana, de noite, e se deslocar para São Paulo; eu tinha que enfrentar e ser forte, ser forte mais uma vez; até porque, infelizmente, a mãe da gente não é pra sempre.

Aqui vai um guia de como é ter depressão: não é frescura, não é você estar bem e DO NADA não estar; é alguma coisa, alguma pequena coisinha que você ainda não identificou… Dentro do seu coraçãozinho ou na sua cabeça mesmo. Depressão é também você não saber o motivo de imediato, mas sentir uma profunda tristeza, uma tristeza e uma vontade de chorar, como eu estou agora quase ao fim deste texto; depressão é não ter muita vontade para muita coisa. E aqui vão números para você que gosta de dados e estatísticas: a depressão hoje tem mais de 2 milhões de casos registrados no Brasil por ano

Você ainda acha que é frescura? Mesmo? Eu acredito que não. 

Depressão tem cura? Tem que ser dignosticada por um médico? Sim, de preferência psiquiatra e a cura são meses de análise, muitos meses, dependendo do seu caso de depressão. Cada casa é um caso. O que também ajuda muito é conversar com pessoas próximas de você, conversar sempre e muito, sobre o que você sentir confiança para conversar e necessidade, ainda que você ache desnecessário. 

Mas, Beatriz, eu não tenho condições de pagar um analista, é caro. Procure o serviço público de saúde, pode ser demorado, mas uma vez que você vai eu te garanto que vai te ajudar demais, vai ajudar pois você por uma hora no seu dia em determinado momento PAROU e sentou com um profissional que vai entender o seu caso e vai guardar tudo que você precisou dizer, ele vai guardar e ainda vai te ajudar a sair da depressão. Procure um médico para identificar o seu caso, ver se é mesmo depressão que você sente e começar o tratamento adequado para o seu caso. 

Um beijo, fique firme pois você não está sozinha(o), acredite em mim, cara (o) leitora (or).

TPM – Tô pra melancolia, desculpa.

Chega o dia que você tá aí, na cama… deitada com dor, como se não houvesse o amanhã e a última coisa que você quer é: levantar e encarar a vida real, pois você quer ficar deitada e chorar, como se não houvesse o amanhã. É, isso é o que eu, Beatriz, chamo de fim de mês, mas há quem chame de TPM (Tensão Pré Menstrual) Continuar lendo “TPM – Tô pra melancolia, desculpa.”

Da janela do quarto

Foto: Arquivo Pessoal. Guaianases – 2014

Da janela do quarto eu via,
Tudo que um dia não queria,
Sentia um aperto no peito por não poder,
Ajudar, gritar eu pensei, porém, querer não é poder (maldita sociedade).

O barulho eu escutei,
Foram sete, tiros que atravessaram mais que a janela,
Atravessaram a vida mais do que pensei
Morreram, tantos gritos dos filhos que eram dela.

O ódio. O preto. A arma e a crueldade, uma passagem para a criminalidade, de quem?

Junho despretencioso.

Tradução: Eu não tenho medo de andar sozinho neste mundo

Naquele Junho despretencioso e já frio o mundo parecia desmoronar.

Ana Carolina tinha seu coração partido em mil pedaços, pedaços estes irrecuperáveis até aquele momento, e o sorriso de André, que até então Ana jurara nunca querer deixar de ver, deixou… Assim como deixou muitas coisas guardadas na gaveta e, exatamente um ano depois ela está aqui, abrindo a gaveta e colocando a caixa em cima da mesa, tirando tudo que desmoronou, depois de outras tantas coisas desmoronarem.
Como se não fosse nada muito difícil, André atravessou a porta e não voltou mais, Ana lembra daquele dia perfeitamente e, hoje, depois de bastante tempo, ela já não sente vontade de cantar Macaé da Clarice Falcão para ele, ainda bem. Com a urgência que o mundo teve nos últimos anos em amar, ela ficou assustada e pediu com urgência que nada daquele sentimento tomasse conta de seu coração (que boba)
Olhando a caixa que tirou da gaveta, viu todas as fotos e lembrou dos dias felizes no parque, daqueles domingos tomando café da manhã na cama e claro, também dos sábados na feira, mas daí, ela resolveu se desfazer, pois nenhum dos nós que estavam em seu peito desatavam-se, então, ela o desfez.
Nesse Junho despretencioso e nada frio, completamente verão, o mundo parecia se remontar, com peças novas e encaixes tão surreais quanto um quadro de Dalí, nesse Junho Ana teve seu coração remontado por ela mesma e viu que, pode até cantar Macaé para outros Andrés que surgirem em sua vida, afinal, Ana terá muitos Junhos para remontar e reinventar seu coração, nunca esquecendo que o que dá a emoção para isso é uma coisa só dela, seu coração

Tornou-se urgente amar

Tão urgente quanto tomar o café antes de sair
Mais urgente que trocar o olhar demorado

Uma pressa sem fim, como pegar as chaves de casa
Um tapa na tela do celular, uma mensagem, um oi e tão logo um

Encontro sem ao menos saber,
Sabe-se o destino pelo signo, mas não se sabe o ascendente.

Passageiro de aplicativos de relacionamentos
Vão e vem, cuidado com o vão entre o trem e o coração.

 

Constantemente & Nice

Constante mente

Nada em nossa vida é constante,
Nem um minuto sequer pode ser, pois quando piscou já virou instante
Todo momento requer passageiros

Até mesmo aquilo que era constantemente
Pode se tornar o momento que o constante mente
Naquele momento para todos os passageiros.
















Nice

João acordou e olhou o calendário;
Era aniversário de Nice, pensou em ligar mas resolveu esperar

Nice levantou e abriu a janela, olhou para trás e viu a cama bagunçada,
sobrava espaço pra caramba naquele lençol branco todo amarrotado

Pedro pensou em tocar o interfone mas resolveu subir com o buquê de rosas
Para fazer uma surpresa, tinha uns bombons amassados e melados de sol,
Todos no fundo da bolsa.

Nice escovou os dentes e prendeu o cabelo com um grampo que achou no banheiro,
Todo sujo da festa de ontem

Pedro ficou na porta, esperando a hora que ela fosse sair.

Nice desceu pelo elevador de serviço, foi comprar pão e demorou um bocado para voltar

Pedro ficou esperando sentado, até dormiu.
João ligou mas caiu na secretária eletrônica,
Nunca mais
Nunca mais ligou.

O dia da saudade

Atenção, caro(a) leitor(a), o texto abaixo é sobre corações que não se calam e a vontade de, muitas vezes, ir sem querer. Ir(,) sem querer.

Extraído de weheartit

Era 3h e eu acordei de um pesadelo. Ainda quando estava de olhos fechados pude ver você se afastando de mim, estávamos no meio de uma floresta e, de repente você soltou minha mão e começou a correr na direção oposta. Eu gritei seu nome mas não adiantou, sumiu em meio um monte de árvores.

Acordei, olhei para o lado e você não estava ali também, não era um pesadelo, era a verdade. Eu estava com o rosto todo encharcado de suor, podia sentir isso no travesseiro todo molhado. Pensei em te mandar uma mensagem mas desisti, não achei tão viável assim, afinal, o que eu diria? Quero você, não aguento mais esses dias, estão um verdadeiro tormento sem a sua voz, sem o seu toque. Era exatamente o que eu gostaria de dizer, mas tem uma maldita linha fina chamada Moral e Bons Costumes que separa isso da mensagem. A pessoa que inventou essa linha esqueceu que o coração não quer falar da moral, muito menos dos bons costumes pois ele quer falar do agora, do suor que o pesadelo de não ter você perto causou em meu rosto.

Não conseguia mais dormir, resolvi ligar a televisão e estava passando aquele filme que ficamos de ver pouco antes de tudo acabar, estava pausado pois nesse meio tempo eu já comprei, assisti inúmeras vezes. A culpa é das estrelas. Terminei de ver e preciso dizer que chorei horrores, chorei até soluçar. A culpa não é minha, nem sua e agora inventaram que é das estrelas, mas acho que não. No meio do filme falaram alguma coisa sobre infinito particular. Que tolice a minha, acreditei nisso um bocado de tempo do tanto que ficamos juntos, mas era só mais um de muitos outros infinitos que irão se criar em minha vida, assim como na sua.

Bom, não te mandei a mensagem, mas escrevi aqui pois pensei em também mandar um e-mail, mas quer saber? Que se dane, já é um puta alívio falar aqui mesmo. Também é um alívio depois de 6 meses saber que o nosso infinito que era um dos mais belos, está agora em outro canto do meu quarto, talvez outros infinitos possam ser formados naquele que era o nosso canto.

Espero que você ache outro infinito também. Baby, bye. Um beijo, se cuida.

(alguns termos em inglês me dão tesão de escrever).

Ir, sem querer. Sem querer ir

Não adianta, tem dias em que a vontade fala mais alto, ir lá naquela página dela(e) e olhar, procurar o que não se deve, como uma espécie de martírio com a desculpa de que não tinha o que fazer naquela madruga.

Aí, bate a saudade, ela vem como não quer nada, cutuca você nas costas, dá um susto e abre um sorriso, só falta perguntar:

– Tá com vontade de ligar, né?

E você, mesmo sozinho, fala

– Vontade não, eu quero.

Você pega o telefone, pensa, mas acha melhor não… Nunca se sabe quem pode atender o telefone dela(e), faz tanto tempo já, muitas coisas mudaram na sua vida, na dela(e) também!
Ainda é dolorido o último beijo, a lembrança da última vez que se tocaram, parece que nada disso quer sair da sua mente, por mais que você tente colocar uma pedra por cima de tudo, igual varrer pro tapete, nada adianta, tudo que você sente continua ali, por mais que os meses tenham passado.
Chega mais um sábado e parece que ficou um vazio ali sem ele(a), sem nada pra fazer, mesmo que o programa preferido dele(a) fosse justamente não fazer nada.

Nesse ponto você já esta sonhando acordada, mais uma vez, a bendita da saudade continua ali, com um enfeite na cabeça igual do diabo, dizendo:
– Vai lá, liga.

Então, você decide não ligar, nunca se sabe quem vai dizer alô. Melhor deixar o silêncio chegar, dormir e seguir para um novo dia, sempre melhor.