Os cem melhores poemas do século

p.S a imagem em destaque foi extraída daqui

A poesia parece estar mais do lado da música e das artes plásticas e visuais do que da literatura. Ezra Pound acha que ela não pertence à literatura e Paulo Prado vai mais longe: declara que a literatura e a filosofia são as duas maiores inimigas da poesia.

De fato, a poesia é um corpo estranho nas artes da palavra. É a menos consumida de todas as artes, embora pareça ser a mais praticada (muitas vezes, às escondidas). Uma das maiores raridades do mundo é o poeta que consegue viver só de sua arte. 

(…)

Poesia é a arte do anticonsumo. A palavra “poeta” vem do grego “poietes = aquele que faz”. Faz o quê? Faz linguagem.

Isso é o que consta sobre poesia no livro O que é comunicação poética, de Décio Pignatari. A poesia é uma das artes que se encontra em um acervo permanente, mas em constante mudança através dos olhos de seus espectadores. Falar de poesia não é uma tarefa fácil, mas eu recomendo que você, antes de encarar o livro que é recomendação de hoje: Os cem melhores poemas brasileiros do século, leia o livro O que é comunicação poética, de Décio Pignatari, onde o autor explica o passo a passo da poesia; dessa forma ficará mais fácil entender o livro dos poemas e interpretar as poesias.

O livro é dividido em quatro partes: Abaixo os puristas, Educação Sentimental, O cânone brasileiro e Fragmentos de um discurso vertiginoso; onde em cada parte, Italo Mariconi — organização, introdução e referências bibliográficas — vai te contar um pouco sobre cada parte dessa história que se chama Poesia Brasileira.

Outra dica que te dou, caro leitor, antes de você encarar esse livro é acessar o tumblr poesia brasileira para conhecer outros grandes poetas brasileiros, que estão escondidos, aqueles que você não estudou certamente na escola, aqueles que você não escutou sequer falar. A poesia brasileira é um mar para amar, olha só, até rimou, será que dá uma poesia?

O livro vale super a pena ler e como todo livro de poesia que recomendo, digo mais uma vez: é legal porque você pode ler uma por dia sem a preocupação de ter que ficar acompanhando a história capítulo por capítulo, você pode abrir em qualquer página, escolher uma e ler.

Boa leitura, depois deixa nos comentários o que você achou do livro e da recomendação?

Abraços ❤

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Libertinagem

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em 19 de abril de 1886 em Recife. Poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro escreveu obras importantes e participou da Semana de 22, a semana de arte moderna de São Paulo. Em 1890 a família se transferiu para o Rio de Janeiro, depois chegando aqui em Santos, indo para São Paulo e novamente para o Rio de janeiro, voltando em 1892 para Recife.

1930 foi o ano de publicação de Libertinagem, momento no Brasil onde ocorria a Revolução de 1930 liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impedindo a posse do presidente eleito Júlio Prestes, pondo fim à República Velha. O Brasil passava por intensas e profundas transformações políticas, e foi neste exato momento que Manuel Bandeira resolveu publicar Libertinagem.

Segundo Braulio Tavares, na intrução, é uma obra de poesia, sem rima, livre e com verso modernista, é o quarto livro de poesia, o primeiro totalmente afinado com a poesia modernista do grupo da semana de Arte Moderna de 1922. A obra reune muitos poemas que exaltam também o Brasil, como os poemas Mangue, Belém do Pará e Evocação do Recife.

Por que ler Libertinagem?

Com a obra você vai aprender a poesia modernista, que é totalmente diferente daquilo que a poesia tradicional está acostumada; uma poesia sem rima, livre e com verso modernista que conta com inexatidão até no número de poemas: 39, não 40. Você pode ler uma poesia por dia e se inspirar no seu dia, afinal, Bandeira trata de temas do cotidiano como Os Namorados ou ainda da infância.  Aqui vai um dos poemas que mais gosto da obra:

Irene do Céu (Manuel Bandeira)

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Gostaram? Espero que sim, deixe nos comentários o que vocês acharam do poema Irene do Céu e outros da obra. Esta foi a recomendação literária da semana, um super beijo e até amanhã.