Uma pausa no amor

Certa vez aos 14 anos acreditei que tinha esbarrado com o amor para a vida toda, o tão falado amor da vida. Quando ele (o amor) partiu aos 16 anos achei que nunca mais fosse ser feliz. Ainda aos 16 encontrei não o amor, mas a vontade de estar perto, senti pela primeira vez o que era a atração física… porém, foi embora também. Depois disso encontrei o amor de novo, dias antes de fazer 20 anos, dentro da minha faculdade, quando eu estava no segundo ano em uma entrevista de emprego para uma revista eletrônica da faculdade mesmo. E pasmem, a conversa durou menos que aquela que foi dos 14 aos 16, mas foi tão intensa que lá pelo oitavo mês planejávamos morar juntos, e aos finais de semana ficávamos nos sites de móveis e aluguel de apartamento imaginando como seria. Aí uma semana depois de 11/06, a segunda vez que comemorávamos, depois de um jantar à luz de velas, ele disse que precisava ir de novo. Horas de sofrimento por saber que aquele encontro tinha acabado, por saber que ele, o amor, não estava mais ali e a partida dele havia de ser respeitada.

A partir daí decidi parar um pouco com isso de querer encontrar com o amor de novo, mas o que acontecia era que todas as vezes que ele pedia pra conversar… tomar um café, ou até mesmo aparecia quando eu não combinava nada com ele, tentava entrar na minha vida. Até o momento que percebi que talvez eu não estivesse pronta para encontrar com ele de novo, mas ao mesmo tempo eu queria tanto sentir a sensação de felicidade que as pessoas que encontravam com ele (o amor) falavam que ele causava… Eu queria sentir também aquele aconchego nos domingos, de… Sabe? Deitar e sentir tudo em paz. Mas eu vi que talvez eu estivesse, como dizem, forçando um pouco a amizade, eu não estava agindo naturalmente… Principalmente por saber que a maioria das vezes que ele vinha, só o que ele queria era conversar através do contato pele com pele e nada mais. Nada de querer saber como tinha sido o dia, nenhuma mensagem no meio do expediente perguntando se eu tinha levado o casaco ou se eu tinha lembrado de fechar as janelas de casa, enfim, coisas do cotidiano mas que a gente sabe que no fundo fazem aquela diferença. E então, dos aos 21 aos 22 eu foquei somente na faculdade e nos estágios e empregos que foram surgindo em um curto espaço de tempo.

Com 22 anos ele, o amor, bateu na minha porta de novo, mais especificamente, ele apareceu do outro lado da janela, bem ali mesmo na janela vizinha. Bastou uma troca de olhares e um convite, depois de alguns dias, para ver um filme do Brad Pitt. De novo ele disse que precisava ir, e aí a partida dele também chegou. Depois desse último encontro ele não apareceu mais, ele não ligou para tomar um café e faz muitos meses que não nos falamos… Confesso que muitas vezes eu entro em alguma cafeteria que costumávamos conversar e olho em volta para ver se ele aparece, de repente, mas isso não tem acontecido. Outro dia eu subi no ônibus e senti o perfume dele, andei até o último banco para ver se era ele quem estava lá, mas me enganei, era a pressão que estava sentada (usando o mesmo perfume), ela até acenou e apontou para um lugar vazio ao lado dela, e por um segundo eu pensei: vou. Daí eu parei e pensei melhor: melhor não. Tudo o que ela queria era me convencer de que o amor realmente ainda ia entrar por aquele ônibus até mesmo antes de eu chegar no meu ponto e descer.

Então pela segunda vez eu vi que não estou pronta para encontrar com ele (o amor), mas que talvez ele também não esteja pronto pra me ver. É uma via de mão dupla; tentar ficar ligando para tomar um café com ele (o amor) é como querer arrancar casquinha de machucado que ainda não cicatrizou. Você pode até conseguir arrancar mas ela volta de um jeito até mais incômodo do que era para ser. Por isso, é importante muitas vezes, ok… talvez seja sempre, que a gente precise se conhecer durante um tempo, ficar só com a gente mesmo, sabe? A gente precisa se dar uma chance para entender que no lugar do amor não pode estar a pressão. Ele vai vir em momentos diferentes pedir pra tomar um café, e mesmo que a gente não esteja querendo conversar com ele, é importante ir tomar o café para ao menos agradecer por ele ter vindo até a gente, por ele ter nos visitado. Muitas vezes vai acontecer de ser o oposto, ele não querer encontrar a gente, mas a gente querer tomar o café… Aí também é o caso da gente agradecer. Talvez em algum momento eu não agradeça pela visita e sim pela permanência, por hora, agradeço pelas visitas recebidas, mas resolvi dar um tempo de encontrar com ele, o amor. Estou em um processo de encontrar o primeiro amor, não aquele que encontrei aos 14 anos, mas sim o meu próprio amor, o amor próprio dentro de mim.

Anúncios

Vamos falar de cachos?

Eu, aos 12 anos, decidi alisar meu cabelo. Pior coisa que eu já decidi fazer na vida, porém, na época não tinha noção da agressão que eu tava causando para mim. Eu alisei o cabelo porque queria ter o cabelo igual ao da minha irmã, achava lindo (e ainda acho) cabelo liso, então queria ter um igual ao dela porque na minha cabeça de criança de 12 anos não dava trabalho cuidar dos fios lisinhos, era mais fácil e mais bonito, os meninos também gostavam mais de meninas de cabelo liso do que aquele cabelo todo armado, parecendo um leãozinho.

O processo de aceitação foi duro, ele começou quando eu tinha 16 anos e, depois de tempos indo de três em três meses todos esses meses no salão só para alisar, eu decidi que ia cortar o mal pela raiz, literalmente. Atenção, caro leitor, estou falando da parte morta que já estava nas pontas do cabelo, de tanto tempo que eu passei um bom tempo sem alisar, sem fazer nada e sem cuidar dele. Já estava começando a ficar cansada e irritada com aquela quantidade de gente em cima de mim para puxar e repuxar meus cachos, de um lado e de outro, era horrível e doía. Uma vez ficaram crostas de um produto no meu couro cabeludo, acredite.

Então, eu fui para Brasília nas férias visitar meu pai, que morava lá na época. Perto do aparamento, ficava um salão de bairro e, um dia, eu decidi ir lá cortar o cabelo porque tava horrível, como disse acima. Chegando no salão, o moço me explicou que, se eu cortasse o cabelo ia ficar cacheado novamente porque toda a química tinha saído, e o que tinha sobrado era parte podre. Eu lembro exatamente da cena: ele passou a tesoura no meu cabelo da metade pra baixo e aí sobrou um teco de cabelo, mas foi o melhor teco de cabelo que sobrou na minha vida toda. Juro.

O processo de auto aceitação não é uma coisa fácil, caro leitor, sabemos disso, mas ele é importante sabe? A gente estar bem com a gente mesmo, sem se preocupar com o que os outros vão achar da gente, do nosso cabelo… Enfim, é muito importante, mesmo! Uma vez eu fiquei com um menino no cinema que se incomodou com os meus cachos, ele disse que preferia que o meu cabelo fosse liso, não gostava dele cacheado… Dá para acreditar?! Eu devia era ter dado um belo de um pé na bunda isso sim hahaha.

Para uma primeira ilustração trago a letra da música Sarara Miolo, de Gilberto Gil. 

Sara, sara, sara, sarará
Sarará miolo.

Sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
de querer cabelo liso
já tendo cabelo louro
cabelo duro é preciso
que é para ser você, crioulo

O texto de hoje foi uma reflexão e eu espero que você tenha gostado, comece a se amar mais e aceite como você é. Acredite caro leitor/cara leitora, você é lindo/a do jeitinho que você é. Vai por mim.

Abaixo algumas fotos para uma segunda ilustração, de como meu cabelo fica liso e depois cacheado.

1969221_10204469793761866_3435202957705144716_n

Abraços e até amanhã. 🙂

Vamos falar de Auto Estima?

Atualmente eu me encontro acima do peso e tudo que escuto das pessoas é: e aí, quando você vai começar uma dieta? ou ainda: e a academia, em? Pois é, isso tudo parece legal e motivacional, mas tem uma hora que dá no saco, literalmente. E se eu estiver bem, até o presente momento com meu corpo? Não significa que eu nunca vá querer cuidar dele, muito pelo contrário…!

Nunca fui a garota mais bonita da escola ou da sala de aula, nunca fui aquela garota que os garotos enchiam a boca para falar dela, eu sempre fui a esquisita, a nerd, a sozinha, a quietinha… Tudo menos popular. Mas quem disse que eu queria ser também?

O processo de aceitação demorou para acontecer, ele não foi do dia para a noite, muito pelo contrário, demorou pra caramba para eu aceitar meu cabelo, meu rosto, meu corpo e até mesmo as minhas ideias, ou seja, demorou para eu aceitar quem eu era; mas quando eu aceitei, e ah, como aceitei, eu comecei a me amar, a enxergar a Beatriz que eu finalmente queria ser. Que Beatriz legal eu me tornei, penso eu.

Aceitação é um processo e você pode demorar muito MUITO tempo para fazer esse processo acontecer, mas acredite em mim… Quando ele acontecer, vai ser maravilhoso! Aceite quem você é, se dê um tempo, se baste. Vá por mim: você é bela, do jeitinho que você é. Se ame, dance e sorria, tem toda uma vida te esperando, garota.

Rolou o primeiro ensaio com a Aflora Acessórios, confira abaixo algumas fotos, incluindo a que está em destaque:

Captura de Tela 2017-05-08 às 23.57.42DSC_0040DSC_0066DSC_0053

Vamos falar de Bullying?

Quando eu era adolescente eu me achava sempre diferente das outras garotas, mas não, não era pro lado de “se achar” e sim pro lado literal da coisa. Eu acha que era esquisita e feia, não me arrumava para nada, muito menos para ir até a escola. Pra que? De que ia adiantar se no final das contas as pessoas me olhavam e me julgavam? Julgavam meu cabelo, meu óculos, meu aparelho, o fato de eu não ir bem em matemática, julgavam tudo até e inclusive o tamanho do meu pé, afirmando que ele era grande demais, tamanho 42. 

Eu não sabia muito bem o que isso era, até descobrir que existia um nome para todas essas coisas que as pessoas diziam que “era só brincadeira”, o nome disso é bullying. 

Bullying é uma palavra americana que significa assédio moral. Você gostaria de ser asssediado? Pois é, agora imagina isso por 365 dias! Não é nada legal. 

O tempo passou e eu saí da escola, o bullying sumiu da minha vida mas tem pessoas que sofrem com isso até hoje, sofrem por não se encontrarem em um padrão, quando na verdade o que eu acredito é que não tem que existir um padrão para você se encaixar, você deve aceitar você como você é! Dane-se o que os outros vão pensar, se vão achar seu cabelo horrível, suas unhas não feitas, se sua altura não está boa ou não… pense primeiro em você, quem você gostaria de ser? Você está bem com a pessoa que é? Então seja, se você quiser ser essa pessoa, se aceite e aceite a sua beleza natural, deixe ela aflorar em você. 

O blog vem hoje anunciar sua primeira parceria com AFlora Acessórios, uma marca de bijuterias que tem o propósito de levar estilo e personalidade para o seu dia a dia, fazendo peças selecionadas para você. Na próxima terça sai mais um post com fotos das peças. Confira abaixo um pequeno spoiler do que está por vir :

Espero que tenha gostado, tem muito mais vindo por aí 😉

Transtorno Bipolar?

a imagem em destaque foi extraída daqui

leia escutando isso 🙂

Não vai ser fácil começar este texto, muito menos terminá-lo, mas precisamos conversar, caro leitor. Eu descobri em meados de Abril de 2016 que tenho transtorno bipolar do tipo 2, e junto com ele a depressão que é o sintoma oposto do transtorno bipolar… Resumidamente: um dia eu estou na euforia e alegria constante, no outro posso estar completamente para baixo, sem nenhuma motivação ou vontade de fazer algo. Precisamos falar dos dois momentos, ou melhor, dos momentos em que você, caro leitor, também se encontra muitas vezes.

Em janeiro agora tivemos o #janeirobranco que fala da saúde mental, então, nós precisamos falar do transtorno bipolar, uma doença que hoje atinge mais de 2 milhões de pessoas no Brasil, com casos registrados e é uma doença crônica que pode durar anos ou uma vida inteira.

Sintomas do transtorno bipolar:

  • No Humor: ansiedade, apatia, apreensão, culpa, descontentamento geral, desesperança, euforia, mudanças de humor, perda de interesse, perda de interesse ou prazer nas atividades, raiva, tristeza ou entusiasmo
  • No comportamento: agitação, agressão, automutilação, choro, comportamentos de risco, excesso de desejo sexual, hiperatividade, impulsividade ou irritabilidade
  • Na cognição: delírio, falta de concentração, lentidão durante atividades, pensamentos indesejados, pensamentos rápidos ou falsa superioridade
  • Sintomas psicológicos: depressão, depressão agitada, episódio maníaco ou paranoia
  • No sono: dificuldade em adormecer ou excesso de sonolência
  • No corpo: fadiga ou inquietação
  • No peso: ganho de peso ou perda de peso
  • Também comum: pressão de discurso

Eu já relatei aqui no texto depressão é frescura? que não conseguir sair de um banco foi o primeiro sinal, no primeiro sinal eu fiquei atenta mas não sabia exatamente o que estava acontecendo, só achava que era mais um dia normal, porém cheguei transpirando na faculdade como nunca antes. Não conseguir andar sozinha foi um dos sinais de que algo estava muito fora do lugar e isso chegou no momento que eu tive um surto dentro de casa, de querer arrancar a roupa no meio da sala não importasse quem estivesse na minha frente, também gritava muito e para todo mundo me ouvir, apesar disso eu ainda achava que estava tudo bem e gritava justamente que estava tudo bem e que eu precisava voltar para São Paulo (cidade onde morei quatro anos).

O transtorno bipolar é feito deste momento de euforia mas também é feito de momentos onde eu não consigo sair da cama, não consigo muitos dias tomar banho, eu passo um dia inteiro de pijama e não aquele dia que você simplesmente está com preguiça, é um dia inteiro na cama sem vontade de fazer absolutamente nada e nem falar com ninguém. Esse momento é o momento da depressão, onde eu não quero ver o que vai acontecer se eu não sair da cama e procurar ajuda. Muitas vezes quando estou em depressão eu não consigo nem pensar com a minha própria cabeça, pois ela só produz pensamentos negativos e o pior deles, que muitas pessoas que estão em depressão pensam, é o suicídio. Isso é um dos estágios considerados o mais perigoso da doença, quando a pessoa pensa em tirar a vida.

Hoje eu me trato fazendo terapia e tomando medicamento receitado pelo meu psiquiatra. É fundamental que se você se identificou com um dos sintomas listados acima não deixe de procurar ajuda.

O transtorno bipolar é uma doença que atinge dois milhões de pessoas eu disse, você consegue imaginar duas milhões de pessoas na sua frente, caro leitor? Precisamos enfrentar o transtorno bipolar, precisamos ajudar as pessoas a enfrentar estes momentos de euforia e os momentos de depressão, não atropelando elas, mas sim dizendo palavras confortantes para elas, dando apoio e entendendo que é uma questão de um momento difícil que a pessoa está enfrentando, que ela precisa de ajuda e não que você complique a situação dizendo coisas do tipo: você só pensa em si, não pensa em ajudar ninguém. Não faça isso, caro leitor, neste momento que a pessoa se encontra ou na euforia ou na depressão… Fique ao lado dela, cubra-a se for necessário, deite ela em um lugar confortável e converse com ela; se ela não quiser conversar, faça silêncio… Em seguida tente começar a conversar com ela a possibilidade de procurarem ajuda profissional, de um médico que possa diagnosticar o transtorno bipolar, o nível e a ajuda necessária. O transtorno bipolar não tem cura, mas tem tratamento, então é necessário que se faça um diagnóstico da doença.

23 aos 23

psiu, a imagem em destaque foi extraída daqui, isso daqui, clica! 🙂

Eu apresentei uma vez aqui no blog uma lista chamada 20 conselhos após 18 anos.

Agora, apresento a lista de algumas “verdades” que já descobri aos 23 e que dificilmente vão mudar ou diminuir e, isso talvez pareça bobo, mas a gente nunca lembra:

1. Todo amor é intenso e ao mesmo tempo “eterno com prazos de términos inesperados”.
2. Toda rosa morre, mas toda sua morte poderá ser eternizada em um livro
3. Vai chegar uma idade, que não se sabe exatamente se já é a idade adulta mas você vai sentir que pode contar com poucos e bons amigos, além da sua família.
4. A vida passa rápido demais para ficar sentado na poltrona só observando e não percorrer todos os corredores, conhecer todos os passageiros deste eterno trem que chamamos de vida. 
5. A melhor maneira de lidar com uma doença que acontece dentro do seu cérebro é primeiro aceitar, depois procurar o tratamento adequado para o seu caso.
6. As músicas que um dia você julgou seus pais por escutarem, provavelmente serão músicas que mais tarde você irá gostar, e irá querer que seus filhos também gostem, mas talvez isso demore para acontecer, exatamente como foi com você.
7. O bom de aproveitar cada fase da vida é justamente aproveitar cada fase da vida.
8. Assista o filme O lado bom da vida e tente captar qual é o lado bom da vida.
9. Leia um livro de poesia por ano. “Poesia é a arte do anticonsumo” (PIGNATARI, Décio)
10. Coma pipoca sempre que der, aquela de panela mesmo, não a de microondas.
11. Lembre-se de respirar assim que acordar, antes de levantar da cama, esse ato de respirar é sempre um tempo pra carregar energias para o dia corrido da rotina.
12. Adote um animal de estimação, animais são maravilhosas cias, eles SEMPRE estarão ao seu lado, inclusive quando ninguém estiver e você mais precisar de alguém.
13. A música Amor para recomeçar – Frejat é uma verdade por completo.
14. Sorria mesmo nos dias ruins e ainda que seja internamente.
15. O processo de auto conhecimento é longo mas necessário quando terminamos um relacionamento afetivo.
16. Sua casa e seus pais são o centro de tudo e o lugar no mundo para o qual você poderá voltar independente do que aconteceu
17. Chá quente com mel, além de aliviar a garganta, alivia o coração apertado
18. Observar, na maioria das vezes, e só observar pode ser melhor do que falar.
19. Você é mais forte do que pensa
20. Todos os dias você já mudou sua visão sobre alguma pequena coisa do cotidiano
21. Por outro lado, todos os dias você vai permanecer com a mesma opinião sobre alguma pequena coisa do cotidiano.
22. Escrever 22 coisas não é tão fácil quanto se pensa
23. Mas é uma delícia escrever sempre, inclusive listas como essas, é uma delícia ter 23 anos e mais uma vida inteira pela frente.
Aproveite 🙂
Não esqueça de deixar seu comentário, crítica, dúvida ou sugestão!

Depois de amar, respire.

Nota do amor: A imagem em destaque foi extraída do pinterest
https://br.pinterest.com/pin/64668944621970353/  

Sempre achou que o mundo fosse acabar depois de cada relacionamento que acabou. Deitava na cama, colocava música triste no fone de ouvido e chorava e cantava com toda a força aquela letra que fazia o maior sentido naquele momento, realmente curtia a bad (palavra em inglês que significa mau, mas também usada no português brasileiro para referir-se a alguém que está mau de várias maneiras… inclusive sentimentalmente) como muitas pessoas diziam. A gente costuma ter essa mania, né?

— Mas, vem aqui… Deixa eu te contar um segredo: não é errado ou feio não, viu? Curta mesmo esse momento em que está triste, da maneira que você achar melhor, assim como tem que curtir os momentos alegres! Ou seja, curta todos os momentos de forma intensa em sua vida! 🙂

— Nossa… Mas até agora não li novidade nenhuma!

— Calma… Continua acompanhando o texto… Que… Chegaremos lá. Olha só, já foi uma… Dica ou pista? Dica! Vamos chamar assim, tá? Combinado?! c u r t i r  o momento, primeira dica.

Continuando…

Até hoje foram quatro relacionamentos sérios e monogâmicos… Cada um terminou de um jeito que que… Meu Deus, sei lá: não fosse mais ser amiga, nunca mais quisesse ver o rosto da pessoa ou ainda que nunca mais fosse falar com a pessoa. Pronto, segunda dica: nunca  n u n c a  diga  n u n c a  pois você nunca sabe o dia de amanhã, não é mesmo?

— Tá, legal… Só que tá ficando chatinho já… O que eu faço com essas duas dicas?

— Aqui está o ponto “lá”! Só repassando essas duas dicas e te digo a terceira, combinado?! 🙂

Curtir o momento – Anotado!
Nunca diga nunca – Anotado!

Entre essas duas faltou uma coisa que pode parecer boba, mas é essencial depois que você amou: após o relacionamento chegar ao fim você tem que lembrar de respirar fundo, respirar até mais do que respirava enquanto esteve nele. A gente acha que tá respirando o tempo todo, e eu espero que você esteja também, rs… Mas deixando a biologia um pouco de lado… Eu tô aqui falando é da respiração que mexe com o nosso coração e ao mesmo tempo com as memórias que armazenamos nele, ok? Tô falando daquele famoso tempo para você.

Lembra que o seu ponto forte é você e isso nada e ninguém pode mudar… Pensar e concluir que você é mais forte que o fim daquele amor. Olha quantos relacionamentos acabaram por seus motivos particulares, mas, depois de cada um que terminou você está aí ainda, em pé e firme para dar uma nova chance, um novo começo para um novo capítulo de sua vida. Respira fundo, tira um tempo e pensa no que o seu eu quer daqui pra diante. Durante a vida toda: curta, nunca diga nunca mas não esqueça que é importante depois de amar, respirar. Depois de amar, respire.

Depressão é frescura?

Foi em 2014 o primeiro sinal, as primeiras duas crises. Depois de um tempo, passou. Eu achei que tivesse passado, na verdade.

Em 2016 voltou tudo, voltou de uma forma pior, voltou junto com a ataques de pânico e pessoas me olhando e me julgando previamente. Hoje, depois de um tempo eu decidi que quero falar disso, quero falar e já te alerto, cara (o) leitora (or), esse é texto mais diferente que vou escrever para você, mas eu preciso falar algumas coisas que os médicos talvez não te falem ou, coisas que você anda sentindo e acha que é o único a sentir isso, quando não é, ok? Esse é um texto de auto ajuda, um texto para você ler e refletir.

Não conseguir sair de um banco foi o primeiro sinal, eu não conseguia sair pois achei que uma pessoa que estava parada na frente dele iria me assaltar; depois eu achei que o rapaz que passou grudado do meu lado jogando uma bolinha de tênis na mão também fosse me assaltar. Lembro de chegar transpirando na faculdade, depois de subir a ladeira da Rua Cardoso de Almeida em São Paulo.

Não conseguir entrar na rua de casa sozinha depois de ter, de fato, sido assaltada duas vezes e a segunda à mão armada foi o segundo sinal; o segundo sinal de alguma coisa estava fora do lugar.

Vou resumir, a partir daqui, pode ser? 🙂 

Antes de voltar para a casa dos meus pais eu passei uma semana na cama, uma semana sozinha na cama, uma semana com alguns dias dela sem tomar banho direito e outras vezes sem força para comer, para me alimentar, pois não via sentido nem nisso e muito menos em sair de casa para encarar as pessoas que eu conhecia há tempos, encarar e sentar num bar simplesmente, ali perto de casa mesmo e conversar sobre o dia, sobre a vida, sobre as cotidianísses.

A partir daqui eu, depois de ter ido ao médico e ter sido diagnosticada com bipolaridade e depressão (para quem não sabe a depressão é o outro lado da bipolaridade e existem DOIS níveis de bipolaridade, o meu é o mais leve).

Eu enxerguei por uma semana o que era a depressão e não gostei do que vivenciei, principalmente porque eu pensei nos meus pais e em como eles iriam se sentir caso me vissem naquele estado. Eu liguei chorando para a minha mãe dizendo que eu estava com saudade de casa, mas, na verdade, eu estava em depressão e não queria admitir; eu queria mesmo era pedir socorro por estar em depressão, mas, eu não podia deixar ela em pânico e sair de Santos em um dia da semana, de noite, e se deslocar para São Paulo; eu tinha que enfrentar e ser forte, ser forte mais uma vez; até porque, infelizmente, a mãe da gente não é pra sempre.

Aqui vai um guia de como é ter depressão: não é frescura, não é você estar bem e DO NADA não estar; é alguma coisa, alguma pequena coisinha que você ainda não identificou… Dentro do seu coraçãozinho ou na sua cabeça mesmo. Depressão é também você não saber o motivo de imediato, mas sentir uma profunda tristeza, uma tristeza e uma vontade de chorar, como eu estou agora quase ao fim deste texto; depressão é não ter muita vontade para muita coisa. E aqui vão números para você que gosta de dados e estatísticas: a depressão hoje tem mais de 2 milhões de casos registrados no Brasil por ano

Você ainda acha que é frescura? Mesmo? Eu acredito que não. 

Depressão tem cura? Tem que ser dignosticada por um médico? Sim, de preferência psiquiatra e a cura são meses de análise, muitos meses, dependendo do seu caso de depressão. Cada casa é um caso. O que também ajuda muito é conversar com pessoas próximas de você, conversar sempre e muito, sobre o que você sentir confiança para conversar e necessidade, ainda que você ache desnecessário. 

Mas, Beatriz, eu não tenho condições de pagar um analista, é caro. Procure o serviço público de saúde, pode ser demorado, mas uma vez que você vai eu te garanto que vai te ajudar demais, vai ajudar pois você por uma hora no seu dia em determinado momento PAROU e sentou com um profissional que vai entender o seu caso e vai guardar tudo que você precisou dizer, ele vai guardar e ainda vai te ajudar a sair da depressão. Procure um médico para identificar o seu caso, ver se é mesmo depressão que você sente e começar o tratamento adequado para o seu caso. 

Um beijo, fique firme pois você não está sozinha(o), acredite em mim, cara (o) leitora (or).