Vamos falar de cachos?

Eu, aos 12 anos, decidi alisar meu cabelo. Pior coisa que eu já decidi fazer na vida, porém, na época não tinha noção da agressão que eu tava causando para mim. Eu alisei o cabelo porque queria ter o cabelo igual ao da minha irmã, achava lindo (e ainda acho) cabelo liso, então queria ter um igual ao dela porque na minha cabeça de criança de 12 anos não dava trabalho cuidar dos fios lisinhos, era mais fácil e mais bonito, os meninos também gostavam mais de meninas de cabelo liso do que aquele cabelo todo armado, parecendo um leãozinho.

O processo de aceitação foi duro, ele começou quando eu tinha 16 anos e, depois de tempos indo de três em três meses todos esses meses no salão só para alisar, eu decidi que ia cortar o mal pela raiz, literalmente. Atenção, caro leitor, estou falando da parte morta que já estava nas pontas do cabelo, de tanto tempo que eu passei um bom tempo sem alisar, sem fazer nada e sem cuidar dele. Já estava começando a ficar cansada e irritada com aquela quantidade de gente em cima de mim para puxar e repuxar meus cachos, de um lado e de outro, era horrível e doía. Uma vez ficaram crostas de um produto no meu couro cabeludo, acredite.

Então, eu fui para Brasília nas férias visitar meu pai, que morava lá na época. Perto do aparamento, ficava um salão de bairro e, um dia, eu decidi ir lá cortar o cabelo porque tava horrível, como disse acima. Chegando no salão, o moço me explicou que, se eu cortasse o cabelo ia ficar cacheado novamente porque toda a química tinha saído, e o que tinha sobrado era parte podre. Eu lembro exatamente da cena: ele passou a tesoura no meu cabelo da metade pra baixo e aí sobrou um teco de cabelo, mas foi o melhor teco de cabelo que sobrou na minha vida toda. Juro.

O processo de auto aceitação não é uma coisa fácil, caro leitor, sabemos disso, mas ele é importante sabe? A gente estar bem com a gente mesmo, sem se preocupar com o que os outros vão achar da gente, do nosso cabelo… Enfim, é muito importante, mesmo! Uma vez eu fiquei com um menino no cinema que se incomodou com os meus cachos, ele disse que preferia que o meu cabelo fosse liso, não gostava dele cacheado… Dá para acreditar?! Eu devia era ter dado um belo de um pé na bunda isso sim hahaha.

Para uma primeira ilustração trago a letra da música Sarara Miolo, de Gilberto Gil. 

Sara, sara, sara, sarará
Sarará miolo.

Sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
de querer cabelo liso
já tendo cabelo louro
cabelo duro é preciso
que é para ser você, crioulo

O texto de hoje foi uma reflexão e eu espero que você tenha gostado, comece a se amar mais e aceite como você é. Acredite caro leitor/cara leitora, você é lindo/a do jeitinho que você é. Vai por mim.

Abaixo algumas fotos para uma segunda ilustração, de como meu cabelo fica liso e depois cacheado.

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Abraços e até amanhã. 🙂

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