Junho despretencioso.

Tradução: Eu não tenho medo de andar sozinho neste mundo

Naquele Junho despretencioso e já frio o mundo parecia desmoronar.

Ana Carolina tinha seu coração partido em mil pedaços, pedaços estes irrecuperáveis até aquele momento, e o sorriso de André, que até então Ana jurara nunca querer deixar de ver, deixou… Assim como deixou muitas coisas guardadas na gaveta e, exatamente um ano depois ela está aqui, abrindo a gaveta e colocando a caixa em cima da mesa, tirando tudo que desmoronou, depois de outras tantas coisas desmoronarem.
Como se não fosse nada muito difícil, André atravessou a porta e não voltou mais, Ana lembra daquele dia perfeitamente e, hoje, depois de bastante tempo, ela já não sente vontade de cantar Macaé da Clarice Falcão para ele, ainda bem. Com a urgência que o mundo teve nos últimos anos em amar, ela ficou assustada e pediu com urgência que nada daquele sentimento tomasse conta de seu coração (que boba)
Olhando a caixa que tirou da gaveta, viu todas as fotos e lembrou dos dias felizes no parque, daqueles domingos tomando café da manhã na cama e claro, também dos sábados na feira, mas daí, ela resolveu se desfazer, pois nenhum dos nós que estavam em seu peito desatavam-se, então, ela o desfez.
Nesse Junho despretencioso e nada frio, completamente verão, o mundo parecia se remontar, com peças novas e encaixes tão surreais quanto um quadro de Dalí, nesse Junho Ana teve seu coração remontado por ela mesma e viu que, pode até cantar Macaé para outros Andrés que surgirem em sua vida, afinal, Ana terá muitos Junhos para remontar e reinventar seu coração, nunca esquecendo que o que dá a emoção para isso é uma coisa só dela, seu coração
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Tornou-se urgente amar

Tão urgente quanto tomar o café antes de sair
Mais urgente que trocar o olhar demorado

Uma pressa sem fim, como pegar as chaves de casa
Um tapa na tela do celular, uma mensagem, um oi e tão logo um

Encontro sem ao menos saber,
Sabe-se o destino pelo signo, mas não se sabe o ascendente.

Passageiro de aplicativos de relacionamentos
Vão e vem, cuidado com o vão entre o trem e o coração.