NOVO ANO

Nunca fui fiel às promessas de ano novo, participar do ritual das moedas debaixo do prato, comer lentilha com as pernas para cima para trazer riqueza ou ainda, colocar uma calcinha da cor de alguma coisa: vermelho amor, amarelo dinheiro e por aí vai…

Uma das coisas que sempre fiz, por outro lado, foi pular as sete ondas. Em pouco tempo de vida, até hoje, só passei um ano fora da minha cidade natal, portanto, um ano sem pular as sete ondas… Por sinal, o ano o qual sucedeu-se foi conturbado e em alguns meses até mesmo brusco demais, como nunca antes na história dessa que vos escreve… Bom, melhor não brincar mais com Iemanjá… Acho que ela ficou brava.

Minha mãe sempre alertou para seguir certinho todas as tradições e, apesar de não acreditar muito, eu sempre tentei fazer bem certinho, vai que…

2014 foi um ano bem complicado, amores do ano anterior que acabaram, amizades novas e velhas que foram renovadas. Talvez 2014 tenha sido o ano o qual mais falei de amor, amar, o que seria isso, o coração, a dor de perder, a delícia do sorriso, o pânico do esquecimento e a felicidade de (re)lembrar.

Algumas coisas acontecem só uma vez na vida, se apaixonar é uma delas. Ok, você vai, pratica e efetivamente, apaixonar e amar mais de uma vez, porém, sentimentalmente é só uma vez, a próxima não será igual.

Para 2015, eu desejo que as pessoas se apaixonem e amem, no tempo que o coração achar certo, que na realidade, não é o tempo certo, pois efetiva e praticamente isso não existe, você se apaixona e pronto.

2015 eu desejo que seja um ano de muitas conquistas e grandes realizações também. Espero que muitas metas sejam alcançadas e sonhos finalmente concretizados. Com todas as coisas que aconteceram em 2014, boas ou ruins, só posso declarar que, 2015 será um ano de mais um aprendizado: fazer as coisas no seu devido tempo, saber respeitar os limites físicos e emocionais. 

Espero que as pessoas aprendam a ser mais humanas, solidárias. Aconteceram catástrofes bárbaras como a falta de água em São Paulo, acredito que aprendemos muitas lições com isso. O país se mobilizou contra vários eventos que, de fato, aconteceram no fim. Aprendi muitas lições as quais levarei para a vida e conheci pessoas incríveis, com um coração gigantesco.

2014 foi incrível, o próximo ano será incrível de novo com tudo novo, como sempre é. Feliz novo ano, feliz +365 dias de amor, compreensão, humildade e solidariedade. Feliz vida.

A corrida

Foto retirada de Arquivo Pessoal. 2010

Naquela noite fazia muito frio, era a última semana de aula. Não sei o motivo, chamei um táxi. 

Os caixas eletrônicos estavam fechados e eu estava sem nenhum dinheiro no bolso, meu bilhete único ainda não havia ficado pronto; o táxi veio de imediato, achei bem incomum um taxista, ainda mais aquela hora da noite, aceitar uma corrida a ser paga no crédito, qualquer comerciante tem um pouco de horror à isso, mas, ele aceitou e ainda veio conversando comigo. 
Muito simpático, não lembro o nome dele, puxou assunto comigo. 
– Então você esta na faculdade de Letras? 
– Sim, quase me formando, faltam apenas dois anos, espero que acabe logo. 
– Calma, tenha calma, passa mais rápido do que você imagina, você gosta? 
– Amo, tive problemas de saúde no começo do ano e tive uma certeza na vida, minha faculdade. 
– Problemas de saúde? Amor?

– Meio que.

– Hã.. Entendi. Você tem quantos anos?

– 21. Sou de peixes, não que isso faça muita diferença, mas tem gente que entende bastante de mim só de falar meu signo.

– Ah, não acredito muito nessas coisas, mas olha, fica tranquila… Você é nova. Eu tinha mais ou menos a sua idade quando estava solteiro e na farra da vida encontrei a mulher que hoje tenho dois filhos, a amo mais do que tudo em minha vida.

– Dizem que peixes sofre ou vive intensamente, acredito ser metade e metade. Quanto tempo você e ela estão juntos?

– 7 anos. Acredita? Nunca achei que alguém pudesse passar tanto tempo perto de outro alguém.

– Pois é, meus pais geraram duas filhas em um casamento que não deu certo, temo muito por isso.

– Não se preocupe, acontece, nem sempre encontramos de imediato aquilo que vai nos trazer plena e completa felicidade; Algumas vezes leva um casamento inteiro outras uma noite basta.

Pois é, esse dialogo todo durou o caminho até aqui em casa, acho que realmente entendi porque esse taxista aceitou a corrida, alguns ensinamentos que você leva para a vida, pode demorar o tempo de uma corrida curta para escutar, outras coisas levam o tempo de um casamento e geram até dois filhos, já pequenas coisas que podem ser grandes coisas, como o resto de toda a vida, não dá para saber ao certo quanto tempo duram, afinal, as coisas nem sempre acontecem conforme o planejado, isso é uma das melhores partes de viver. 

5 discos <3 de 2014

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O ano foi uma loucura e claro, como toda vida agitada, uma boa trilha sonora não poderia ficar de fora. Resolvi listar os cinco discos nacionais os quais mais escutei durante o ano e falar um pouco deles.

1. Com certeza o disco que mais escutei foi De lá até aqui (Móveis Coloniais de Acaju – 2013). O disco é do ano passado, mas ele não saiu da minha seleção especial, com músicas melancólicas, nostálgicas, românticas e agitadas deu um up em cada dia da minha rotina, principalmente os mais tediosos. (https://www.youtube.com/user/moveiscoloniais)

2. Uma banda que ainda irá lançar seu primeiro disco mas já tem fan page no facebook e músicas disponíveis para download é a banda Hewie. Formada por 4 integrantes – Paula Landucci; Guilherme Gulias; Bruno Fiacadori e Caio Gomes a Hewie é uma banda daqui de São Paulo mesmo de pop folk MUITO legal. Se eu fosse você, nem perdia tempo e clicava aqui: https://www.youtube.com/user/BandaHewie/videos

3. Lógico que alguma coisa relacionada com Los Hermanos não ia ficar de fora da lista. A Banda do Mar anunciou sua parceria no meio do ano (Marcelo Camelo e Mallu) e já lançou seu primeiro disco que carrega o nome da banda. Uma seleção super gostosa de músicas que não poderia ficar de fora daquele domingo de sol no parque ou na cozinha. (https://www.youtube.com/watch?v=61jSSF3Vu54&index=2&list=PLjwiW2jGLfguAL_xr_y3DiLA-tbX6Ewx8)

4. Para uma sexta feira com vinho e pizza, Filipe Catto e seu álbum de 2011, Fôlego. O menino além de ser lindo demais, tem uma potência vocal incrível e, meu Deus, como me encantou! Não só comprei o disco como também o DVD gravado no auditório do Ibirapuera Entre Cabelos, Olhos & Furacões. (https://www.youtube.com/watch?v=Gd9_O7-FMMc)

5. Por último, não menos importante, um disco que definitivamente nunca sai da minha seleção é o álbum da minha banda preferida desde minha adolescência: Los Hermanos Na fundição progresso (2008). Um disco melancólico, alegre e que me causa extrema felicidade em forma de lágrimas, todas e quaisquer vezes que eu escuto, um disco em comemoração aos 10 anos de banda, agora com muito mais de 10.

(https://www.youtube.com/playlist?list=ALNb4maWNoT6SAAQf1JBSsW3amMJwKJha9)

Espero que você tenha gostado do post e se tem algum disco que gostaria de compartilhar, deixa nos comentários, afinal, quem no mundo é capaz de viver sem música ou até mesmo passar o dia sem fone de ouvido, não é mesmo? Um beijo e até a próxima diversão musical =)

Relatos Selvagens

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Nada funciona, o botão não fecha direito, a camisa esta amassada e não dá tempo de passar. O carro não quer ligar, o ônibus passou na hora que você atravessou a rua e, ainda por cima, resolveram ficar na esquerda bem quando você esta com pressa. Coisas do cotidiano que não funcionam, mas no fim, tudo se dá um jeito, tudo tem solução.

O filme Relatos Selvagens, uma produção longa metragem argentina, dirigida por Damián Szifron estreou dia 24 de Outubro de 2014 com 2h2min de duração. Cinco histórias que tem um mesmo quê: O descontrole diante de coisas que não funcionam, sistemas lentos e burocracias sem fim, no meio de tudo: dois casamentos que estão por um fio. Afinal, quem nunca perdeu o rebolado, teve vontade de sair gritando no meio de um monte de carros, quebrar toda a louça que existe em casa, não é mesmo?

Como não perder o controle em situações extremas, talvez seja essa uma das maiores lições do filme que, com a produção de Pedro Almodovar já esta concorrendo na categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 2015, acredite se quiser.

Relatos Selvagens vai além das questões burocráticas e percorre um caminho mostrando como o capitalismo engole nós, reles mortais, como a violência é capaz de dominar o ser humano em situações que, ao início de tudo pareciam tão simples de solucionar e apesar do filme passar aqui pertinho, nos Los Hermanos, temos uma leve identificação com o jeitinho brasileiro em inúmeras situações, como no relato onde um acidente acontece e, para o filho não ir preso, o pai arruma o caseiro como laranja da situação, culpando-o.

O que podemos fazer diante de um casamento que não esta mais dando certo? Até onde vamos para impor a instituição sobre nossos sentimentos, como no relato de uma festa de noivado, onde a noiva descobre uma traição e em seguida trai o noivo na festa, no terraço, com o cozinheiro da festa, voltando como se nada tivesse acontecido, mas logo em seguida perdendo o controle de tudo, transformando tudo em uma tragicomédia.

Relatos Selvagens é uma comédia a qual deve ser assistida, sozinho ou acompanhado, com pipoca ou sem, de qualquer forma se eu fosse você, corria para o cinema logo!

Juliana

Imagem extraída de weheartit.com

O mundo Juliana observava, com toda sua delicadeza apreciava as pessoas e os passos. O céu estava um pouco azul naquele dia, não totalmente, mas Juliana sabia que a outra metade também estava, até mais azul.

Juliana conseguia enxergar a pureza no coração de quem a rodeava, gostava de andar por toda a Avenida, naquela noite que antecedia o natal as pessoas estavam mais felizes, todas com sacolas na mão, inclusive Juliana. 
Já era o 24º natal de Juliana, mas este seria diferente, ela não conseguia ver totalmente as coisas, mas sabia o valor de cada uma delas, sabia as cores decor, sabia todas os cheiros e tinha uma sensibilidade um pouco mais ativa. 
Juliana se preparou durante quase 365 dias e quando chegou o dia do Natal acordou, desceu as escadas devagar com seu cão na frente para guiar, abraçou sua mãe, deu um beijo em seu pai e entrou no táxi. 
No meio do caminho, abriu a janela e sentiu o vento mais puro e gostoso de toda sua vida. Desceu do carro, caminhou até a recepção do hospital, preencheu a ficha mesmo com metade de sua visão turva, entrou no quarto, sentou na cama e aguardou. 
14 horas na sala de cirurgia. Juliana quando saiu de lá já enxergava não mais um mundo turvo por metade, enxergava apenas a metade, mas sabia que, essa metade que nunca mais poderia enxergar, era de qualquer forma linda, pois sabia decor as cores, os cheiros eram sensíveis para seu nariz e as pessoas da noite anterior Juliana não esqueceria tão cedo. 
Juliana sofreu um acidente de carro que a deixou com metade de um mundo apenas fisicamente, mas seu coração sabia muito bem como era essa metade. Da metade Juliana sempre fez um todo com sua sensibilidade. 

Cansaço

Sempre começa com: não é você, sou eu. É, pode parecer gentileza mas é realidade, dessa vez sou eu e não você. Sou eu o que? Cansei um pouco. Sei lá, existem os dias que olhamos para o calendário e parece que o mês é uma eternidade até o último dia, ainda que faltem poucos dias.

Alguma hora ou outra o coração cansa, ele cansa de pensar, de mentalizar e idealizar… Ele cansa até mesmo de amar, pede um tempo, tempo para pensar e refletir, ficar sozinho. Egoísmo? Não, pausa para não surtar de tanto amor por alguém, um amor que pode nem mesmo existir mas já esta sufocado por pensar demais, por imaginar o que poderia um dia ser, imaginar os dias de sol juntos naquele parque sob as nuvens azuis demais, mais azul que o azul do fogo.

Outra hora ou alguma vez a mente cansa, cansa de pensar em você, em mim e no nós, naquilo que teria continuidade mas em um rompante foi interrompido por uma vastidão de sentimentos que mudaram com o bendito tempo, tudo muda não é mesmo? Até mesmo o amor que para de ser amor.

É, é dolorido pensar, mas acho que chegou ao fim o sofrimento (ou não), uma parte dele tenho certeza que sim. Como eu sei? Minha cabeça esta distraída com outras coisas e milhares delas, uma das mais importantes é o fim de ano e o natal chegando. Sabe quando um metrô vai pr’a um lado e outro vai pr’o outro? Nossas vidas nesse minuto, minha cabeça que antes percorria no mesmo sentido que a sua, agora dá a volta pelo Paraíso e vai até o Jabaquara, sem previsão de volta para Tucuruvi.

Acho que estou aliviada na verdade, como eu disse antes, não é você, sou eu… Cansei e sinceramente, me sinto bem leve, me sinto libertada de uma coisa chamada: coração. Não quero mais pensar no daqui pra diante, quero pensar no amanhã e o depois? Que venha o que tiver por aí, a vida não passa disso, enfrentar tudo que vier seja bom ou ruim. Paciência é o que tenho aprendido nos últimos meses, necessito dela pois aprendo muito. Vou esperar o mundo me surpreender sem ficar procurando quais são as coisas certas para fechar todas as feridas que foram abertas ao longo dos últimos meses, não vou procurar pois sei que isso vai machucar mais, então, vou simplesmente deixar pois uma hora tudo isso passa. Tudo que um dia foi amor e virou sofrimento irá se tornar uma bela e doce lembrança, até mesmo no sonho.