Crise universitária

Todos os nossos sonhos podem virar realidade, se nós
tivermos coragem para persegui-los (Walt Disney)
– Entrei no curso que escolhi e não gostei, e agora? Falo para meus pais que vou largar a faculdade? Meu pai ficou anos naquele emprego só pra sustentar as mensalidades do cursinho, vai me dar o maior esporro! 
Esse questionamento é muito natural entre os universitários, principalmente aqueles que entram cedo demais na faculdade, com 17… 18 anos, quando apenas saíram do Ensino Médio. Muitas vezes escolhemos nossas profissões por tradições na família do tipo: “Titio é engenheiro, papai é arquiteto e mamãe é engenheira. Vou fazer engenharia porque já tenho emprego garantido.” Decidir com apenas 18 anos o que você fará pelo resto da vida é uma decisão muito difícil de se tomar. 
PS: engenheiro, médico e advogado não são as únicas profissões do mundo. Há uma infinidade de coisas que você pode fazer; eu mesma nem imaginava que existia um curso de editoração. 
Em 2010 me formei no ensino médio com 18 anos, depois fui direto para o cursinho e em 2011\2012 entrei na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no curso de Letras. Escolhi como carreira o bacharel em tradução, falava que seria tradutora de mandarim (mal falava inglês), falava que eu JAMAIS daria aula, pisaria em uma sala de aula “porque professor nesse país é tratado igual lixo”, em 2013 mudei para a Licenciatura do Português depois de pegar 3 dependências em inglês. É, acho que aqueles cursos online e os anos de CNA não adiantaram muito, né?  
Hoje, 05 de Fevereiro de 2014, cá estou em Santos sentada no escritório da casa do meu pai, estudando (e escrevendo esse texto) para a Universidade de São Paulo. Havia decidido por imediato que ia continuar na Letras e escolher só uma segunda opção qualquer… porque sabe, tem de se escolher uma segunda opção. (Me corrijam se eu estiver enganada, em 2011 eram duas opções). Eis que abro a página da USP e me deparo com o curso de Editoração. 
Em São Paulo, onde moro atualmente, eu passei por diversos empregos até chegar nas editoras SESI-SP e SENAI-SP. Cara, foi o trabalho mais incrível que eu já tive até hoje e no fim foi mais que um estágio, foi incrível e eu conheci pessoas sensacionais. Conheci desde jornalistas até escritores e pessoas que fizeram Letras na USP. Entre muitas conversas em Novembro de 2013 me encontrei no meio de uma crise interna: Letras ou Jornalismo. 
Decidi sair da PUC porque além de não estar contente com as mensalidades eu não tava lá MUITO animada com o curso lá dentro especificamente, olhei a grade da USP e tem uma diferença gritante de um curso em uma e outra faculdade. Sabe, eu decidi parar… Eu sei que milhares de jovens não tem a mesma oportunidade que eu de estar cursando uma faculdade particular, parar tudo só pra fazer cursinho para entrar na Universidade de São Paulo, eu sei disso… Ninguém precisa me dar sermão, meus pais me ensinaram coisas valiosas nesse ponto e eu já tinha consciência disso há muito tempo. Depois de muito tempo eu paguei a minha língua. Quero sim um dia dar aula, quero sim ser professora de português e quem sabe trabalhar em uma editora. Não sei ainda qual será o desfecho desse ano, afinal ele mal começou. Só sei de uma coisa: Recomeçar é muito bom, vale a pena. Eu quero fazer o que me faz feliz e talvez seja editoração mesmo. 
Escrevi tudo isso pra falar pra você, cara(o) leitora(o) que: crises são comuns, principalmente essa de “o que ser quando crescer”. Muitas pessoas se prendem, não recomeçam por insegurança em relação ao tempo que elas vão gastar estudando tudo de novo e levando 4 ou 5 anos pra se formar no que realmente gostariam. Recomece se você pode, experimente! A receita é mais ou menos como quando a gente é criança e não gosta de legumes… Vai experimentando aos poucos até que uma hora você gosta e até encontra seu legume preferido. Conheço várias pessoas que fizeram um trilhão e quatrocentos mil cursos técnicos e começaram 2, 3 faculdades… Largaram todas até mesmo pra voltar para a primeira. Lembre-se sempre: existem muitas pessoas que gostariam de ter oportunidades iguais a suas de poder cursar o que bem entender, fazer um cursinho legal e uma faculdade boa. Se você tem essa chance, agarre-a com todas as forças. 
PS: Ser professor é uma arte, quem sabe é o professor do futuro que iguale as escolhas das pessoas, fazendo com que um dia todos tenham a oportunidade de estudar em boas universidades.