O segredo do passado

O medo que temos de olhar para trás é enorme. Sentimos uma pontada no peito, sempre que falamos do que terminou. Há quem diga que não faz bem reviver o que ficou lá pra trás, que “passado é morto e enterrado, o que importa é olhar para frente”. Outro dia, vi uma amiga comentar, a respeito do aniversário dela: “Não lembro direito nem o que aconteceu de 2007 pra cá e já é muita coisa”. Bom, pra você que não me conhece, nasci em 93. Algumas pessoas ficam bem assustadas com isso, talvez pelo fato de elas serem mais velhas e terem nascido, não sei, dez anos antes.
Você lembra quantas vezes já chorou na vida? E das vezes que deu risada até suas bochechas doerem? Eu acho que mais ri do que chorei na vida, ainda bem, até nos momentos de desespero. Lembra quando não existia internet? Eu lembro que ficava muito tempo no computador jogando Mário. Ah e a nossa infância? Foi muito boa, né? Aquelas pilhas intermináveis de gibis pra ler… As tardes na casa da tia, vó, vô! Depois veio a adolescência… Aquela fase horrível, rebelde e que parece que tudo é o fim do mundo ou que o mundo está contra você. As primeiras amizades que até hoje duram, os primeiros namorados que hoje a gente não quer nem escutar falar o nome, mas foram eles que fizeram com que a gente ficasse mais forte, menos birrenta, menos chata e mais madura. 
Fico pensando sobre a minha vida, relembrando os meus erros e as vergonhas que já passei. Não tenho vergonha nenhuma de relembrar que, na 5º série por exemplo, eu fui dar o casaco para uma amiga, mas esqueci que não tinha nada por baixo, foi muito rápido, mas a classe como era pequena, viu HAHAHAHA! Não tenho pudor de dizer isso, pois hoje dou boas risadas da situação, apesar de no dia ter sido muito constrangedora. 
É legal ver quantas coisas aconteceram desde então, de quantas cores já pintei minha unha – lembro que no ensino médio, pintava uma de cada cor, minha mãe queria morrer de vergonha, mais ainda quando eu resolvi pintar de fosco, parecia errorex ou branquinho -, quantas vezes cortei meu cabelo e da vez que cortei sozinha em casa, e a moça do salão disse: Senhora, não deixe nunca sua filha ser cabeleireira. Perdi a conta de quantas vezes já me depilei e de quantas vezes fiz a sobrancelha, sem contar que, não contente em ter feito o cabelo sozinha em casa, já quis fazer a sobrancelha, mas essa ficou menos trágica (acho que porque é uma quantidade menor a tirar).
Gosto de lembrar do meu primeiro estágio em São Paulo, me contrataram na semana da páscoa e fui demitida em uma semana afinal… Eu tinha uma família para ver e passar a páscoa junto; Só não imaginava que nunca mais veria meu emprego e salário! Nunca mais disse não pro meu emprego, já cresci muito depois disso e hoje, tenho um estágio na minha área e essa talvez seja a maior realização depois da faculdade. 
Perdi a conta de quantas vezes pulei sete ondas, sem contar das ceias de família em Natal e Ano Novo, os aniversários… Quando penso que já apaguei 20 velas… Meu Deus… Quanta pólvora, não? HAHAHAHA
Lembro do dia que caí de bicicleta em cima de um cara que ia voar de paraglider; eu tinha 8 anos, acabara de subir na bicicleta pela primeira vez. Meu pai queria morrer de vergonha e o cara, matar ele. 
Adoro olhar para a minha marca de ferro no braço. Foi quando eu sentei uma vez, na tábua de passar roupa
com a moça que cuidava de mim e, sem querer ela me queimou. Eu adorava me enfiar no armário da cozinha, tirava todas as latas, empilhava e ficava escondida; assim como quando me enrolava na cortina… Minha mãe ficava louca da vida! Hoje não posso abaixar desse jeito por conta da minha coluna, muito menos enrolar na cortina, até porque aqui em São Paulo, não há cortina em minha casa.
Relatei essas coisas todas e ri muito lembrando de cada uma delas… Lógico que tem muito mais coisa pra contar, mas o legal é você sempre olhar para trás e ver que, com as experiências antigas pode aprimorar as novas… Quando a vida te dá um tranco, como foi com meu primeiro estágio, você já fica alerta pro próximo. A gente NUNCA sabe quando ele vem, e talvez não estejamos completamente prontos para o próximo, em questão de evitar que aconteça… Afinal não é do dia pra noite que você vai aprender uma coisa na vida, isso leva tempo e SÓ o passado pode te ensinar a olhar pra frente.
Afinal, pensa comigo, se você por exemplo tá em uma rua A querendo chegar na B e não tem certeza do caminho, mas tinha um bar na A, porque não voltar e perguntar no bar onde fica a rua B? Confuso, né? O sentimento que temos em remexer no passado, é confuso, mas é bom no final… Ele te ensina que algumas coisas na vida lá atrás foram ruins, mas dessa vez, podem ser melhores. Tudo se renova e, quando se renova, fica mais belo, mais forte e mais intenso. Talvez por isso que cada dia que passe, a impressão é de que a vida se arrasta um pouco mais, porque a intensidade das coisas é bela, igual uma flor que vai abrindo…
Olhar pro passado não é dolorido; Dolorido é olhar para frente sem saber no que você tropeçou. 🙂
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