Sobre o amor

Helena não sabia descrever o motivo, mas em um mês que se aproximavam dos 6, ela sem mais nem porquê, estava assim… Respirando mais amor do que achou que já podia sentir.

Tantos sorrisos e abraços apertados… Nenhuma decepção, sequer um rachado para o coração. Havia perdido a conta das vezes em que o lençol havia amanhecido completamente amarfanhado, isso sem contar dos dias que só aparecia no chão. Ficava com cara de tonta, ao lembrar em um rompante, dos beijos demorados e aqueles que passavam pelo corpo todo. Quando Helena menos esperava, Manoel aparecia por trás e dava um abraço apertado, como se aquele fosse o último, passando vagarosamente a barba pelo pescoço dela. Como esquecer do primeiro presente após os primeiros chocolates? Uma luminária ele dera á ela, pois Helena tinha muito medo de dormir sozinha, principalmente se tudo estivesse escuro. Genial, uma luminária.
Um dia Helena adoeceu, horas e horas no hospital entre ligações para o trabalho, avisando que precisava faltar. Parecia que aquilo não teria mais fim… Chegou um dado momento em que não aguentava mais regurgitar e perdia cada vez mais sua respiração… Ia fraquejando, fraquejando… Seus braços, ambos já estavam roxos de tanto que as enfermeiras haviam picado, tentando achar a veia, para poder ver se ao menos um pouco de soro poderia hidratar.
Quando finalmente voltou para casa, fazia as coisas ainda bem devagar, pois os braços estavam muito doloridos. Já era terça feira, hora do almoço quando a campainha soou, Helena desceu e era Manoel. Daquele sorriso, meio torto, combinando com a barba por fazer, os abraços que Manoel dava apertado em Helena… Ela jamais esqueceria. Com muito cuidado, a ajudou a subir a escada, suas pernas andavam meio bambas ainda. Manoel havia chegado para ajudar a cuidar de Helena. Então, toda a doença havia curado, pois o amor estava bem ali, entre eles.

20 conselhos após 18 anos

Na vida, temos a maldita mania de, principalmente na adolescência, sermos “rebeldes sem causa”, não escutando os maiores senhores da razão. 

1) Sempre escute seus pais, sempre. 
2) Cartões de crédito: Não queira perder seu sono e seu emprego, respectivamente. Então, não tenha. 
A vida é muito importante para ser levada a sério.
3) Planeje despesas fixas todo começo de ano, tenha a planilha atualizada e em seu e-mail. Esqueça o mapa astral, ou você acabará no “inferno vidal”.
4) Arrume um emprego assim que completar a maior idade.
5) Não tenha medo de mudar seus planos de estudo no meio da faculdade.
6) Você só saberá se fez a escolha certa do curso, após o primeiro semestre. 
7) Quando achar que já tentou de tudo e pensar em desistir, não desista. Afinal, olha onde você chegou. 
8) Se você desconfia que vai dar merda, ou tem certeza, evite com bastante antecedência. 
9) Não tenha vergonha de assumir os seus defeitos, são eles que farão você melhorar de vida, não financeiramente, mas interiormente. 
10) Faça o que você ama, não o que te der mais dinheiro. Ele é bom, para pagar conta, mas não é tudo. Ora, você pode ser milionário mas morrer antes dos 50, tendo feito o que mais detestava só pensando no dinheiro, ou se aposentar aos 50 e viver o dobro deles, tendo feito tudo mais devagar, porém com total satisfação profissional.
11) Carregue com você que, as coisas vão aumentar de preço sempre. 

12) Mantenha seus amigos de anos por perto, desconfie dos que se aproximam rápido demais de você.
13) O bom humor é a solução para tudo, acredite. É tipo trago seu amor em sete dias, só que funciona 😉
14) Faça uma loucura por dia. 
15) Guarde dinheiro em casa ou faça uma poupança se, um dia você quiser viajar, estudar mais ou caso você seja demitido. 
16) Conheça o interior, amadureça, antes de querer o exterior, isso também vale para o seu país. 
17) Não tenha medo de ser você mesmo e se permita se surpreender. 
18) Conheça banheiros sujos de bares imundos, há muito a aprender com eles. 
19) Ande a pé em sua cidade, não importando a distância .
20) Por último, mas o mais importante: Nunca esqueça, mesmo, do 1º conselho. Ele vale para a vida e vem de quem te deu ela, então… Sempre faça isso. 

Exagerado

Louco, explosivo, intenso, cheio de amor para dar. Uma mente brilhante dentro de um verdadeiro exagero de felicidade e rebeldia. Agenor de Miranda Araújo Neto, Cazuza. Carioca de alma, americano de tratamento. Desde cedo, nunca escondeu sua bissexualidade, um choque para muitos, nada e tudo ao mesmo tempo para ele. Tantos amores, tantos desejos, tantas entregas e uma maldita doença que não tinha cura: Aids, veio e levou nosso menino rebelde, com apenas 32 anos. Uma carreira curta para tanta genialidade, mas deixou uma eterna saudade, saudade em seus amores os quais partiu o coração e os que conquistou duramente. Com o Barão Vermelho, gravou três discos e, quando só sete álbuns, um mais bonito que o outro. Um grande admirador de cantores e compositores ingleses, quando tirou férias na Europa, tomou gosto por aquelas guitarras estridentes e agudos em sintonia perfeita. Sempre na vida boemia, de volta ao Brasil, não deixou de ser aquele menino impulsivo e intenso, que continuava afirmando aos berros para quem quisesse ouvir que, não existe samba ou rock, existe música ruim e música boa, independente do estilo. Talvez essa tenha sido uma das grandes lições que ele nos deixou, além de todas as letras maravilhosas.
Hoje, o blog quer compartilhar com vocês, uma das canções mais belas de amor já feita nos últimos anos: “Eu Preciso Dizer Que Te Amo” – Bebel e Cazuza.

 

Astronautas

Foto de autoria própria. Estrada para Santos.

A correria e o caos transformam, transfloram e amadurecem. O peito enche de ar quando quem na frente está, começa a divagar. O agito torna-se orientado e direcionado para o metrô que já vai fechar. Ninguém entre o vão está, mas as vezes gostaria de arriscar, pagar pra ver valer. O cinza contrasta com o azul pontilhado e o amarelo, deixando os cheiros que as milhões de narinas inalam quase que imperceptíveis. Do trem eu vejo anoitecer, do prédio entardecer e da cama, amanhecer. A correria transforma e com o tempo transflora. A cultura é diária, múltipla e compartilhada pelo olhar. Milhares de seres pensantes, cabeças que se confundem de tão parecidas. Milhões que se tornam mil em um mês que desafoga, julho por entre as veias e artérias entupidas da metrópole engarrafada e demais por sufocada. Milhões de seres que nem se conhecem, já se confundem em um cubículo menor que qualquer trem. Todos os dias nos confundimos com os outros astronautas que aqui estão, nesse mundo paralelo de tão surreal que parece. É louco, parece pouco mas é bom demais. O caos faz amadurecer, o limite… Ser testado e a todo e qualquer momento estar no limite das coisas, achar que não vai dar, nos perguntamos do que somos capazes, se vai dar, se vai rolar. Nada é por acaso, com certeza não é a toa que milhares de pessoas pensam que aqui é o melhor lugar do mundo pra se morar, independente do caos que há de começar. Sim, aqui de fato é um bom lugar para se viver, e dai que o ar não é de qualidade? Cada partícula de oxigênio e carbono solto no ar, transforma um ser e amadurece ele… Teste é o teste.