Sofrido

Foto de autoria própria. Local: Baixo Augusta

Entre milhões de habitantes, a sensação de estar só ainda é das mais constantes. Ainda que tenha muito amor, dentro do peito e no coração completo, não há cabeça que imagine o choro madrugada a dentro. É uma loucura muito grande morar aqui, só quem vivencia sabe como é a sensação de precisar de mais algumas horas, em um dia, 24 são números baixos perto das linhas que ligam a cidade de uma ponta a outra. 

A verdade é que muitos ainda choram, alguns mais sofridos que outros, choros distantes, choros próximos… Mas choros que ninguém há de imaginar quando estão acontecendo e porquê. O Paulistano tem instaurado essa pressa que mata todo dia um pouco cada um, essa sede e vontade de terminar rápido as coisas, não deixar literalmente para amanhã, o que há de ser feito ainda hoje, prazos, prazos… Trabalhamos em cima deles o tempo inteiro. Essa pressa que também há de me consumir, ainda pode me levar a loucura!
Talvez seja só mais uma tpm, talvez seja só o emocional falando mais alto, mais uma vez. Ninguém sabe direito o que é, como eu há de saber também? Malditos hormônios! Em um dia você está feliz, você começa o dia olhando o céu tão lindo e radiante e termina se emocionando com o jornalista abraçando o mendigo bêbado no vão do MASP, quando mais de mil pessoas não o deixam falar; E daí que ele é um bêbado? Com certeza já viu pausadamente mais a vida do que nós, que sempre passamos correndo por ele. 
Será que é loucura chorar demais, chorar desesperadamente igual uma criança e não saber de onde vem tanta angustia? Qual é o ponto para minha loucura começar? É, a sensação de crescer e bater as asas é unica, mas o preço que se paga por isso é alto demais e no auge do desespero, ninguém há de ver a luz apagar, somente a lágrima cair. 
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