Passagem

Joana todos os dias, pontualmente voltava da escola meio dia. Depois que descia do ônibus, caminhava cerca de dez minutos, passando por três vizinhos até chegar ao portão amarelo de sua casa. Sempre de terça feira, sentia o cheiro da feijoada pré preparada para quarta. Sua mãe não gostava da forma como chegava em casa com os pés sujos e as meias encardidas, estava cansada de tentar comprar meias brancas e ensinar a filha como não suja-las, mas ainda assim a amava incondicionalmente. Joana subia as escadas correndo pulando dois degraus. Depois de largar a mochila de pano em cima da cama, tirava o laço que apertava seu cabelo e fazia um rabicó bem pequeno. 
– Vem filha, o almoço tá pronto. (Essa voz soava semanalmente mas sempre com um pingo de amor a mais)
Terminada a refeição, Joana só queria saber de brincar. Sua mãe, Catarina, não ligava muito que a filha fizesse arte, brincasse e rolasse antes das obrigações. Joana, carinhosamente Joaninha, adorava seus amigos Pedro e Matheus, passava o dia inteiro com eles e o esconderijo preferido dos três era no meio das montanhas abandonadas. O balancê que ela costumava quase voar, já tinha até o formato de seus vestidos curtos, brancos e rendados… Ás vezes colocava alguns que eram bordados por sua avó. 
Certo dia, não havia mais porquê ser meio dia tão pontual. O balancê ficou reto, fechado. O ônibus passava reto por aquele vilarejo e os vizinhos ficaram acuados. O portão amarelo de repente acinzentou e não se aguçava mais o cheiro da pré feijoada de quarta. Pedro e Matheus não viam Joaninha a não ser como um pequeno inseto. Todos agora, com uma semana na Igreja estavam, lembrando de Joana que com apenas 12 anos, havia morrido de câncer. Catarina nunca exigira da filha, pois sabia que pouco tempo ela tinha. 

Meio Ambiente

Os dias parecem que nunca tem as horas que precisamos para fazer tudo, temos pressa, muita pressa. Nos locomovemos em diversos transportes e nem paramos para pensar em quanto de gás carbônico se gasta, e o quanto isso agrava a situação de onde moramos. Não olhamos para o lado, só para atravessar a rua e  pisar no concreto, isso é o que mais importa. Depois de pisar tanto no concreto, achamos normal pisar no jardim para chegar mais rápido na areia e ficar tomando uma água ou cervejinha. Pensamos em vários lugares para ir, mas quando faz muito sol, queremos uma árvore com sombra e só falta uma água fresca para tudo ficar perfeito. Raramente pensamos em aproveitar o que nos foi fornecido de mais raro, o por do sol que todos os dias estará lá. Você diz que não dará rosa para alguém pois, ela resseca e morre, perde assim o seu real valor, mas sequer parou para pensar no quanto a natureza é bela ao “transflorar”.
Na Avenida Doutor Arnaldo, localizada na cidade de São Paulo, de um lado fica a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, do outro o Cemitério e bem na frente uma extensa banca de flores. Irônico, não? Nascemos, morremos e ao fim de tudo, nem vemos, mas somos coroados com flores, natureza e o que há de mais belo nela, depois de tanto desprezá-las. O mundo é toda hora modificado. O homem nasce e nem repara mais nas coisas simples da vida… É, clichê, não é?! Pois é, clichê mas delicadamente verdadeiro. No calor, a árvore faz diferença com seu tronco que quanto maior, melhor. No frio, a madeira traz o fogo para aquecer os corações. Arrancamos das árvores suas lascas para fazer toras e jogar nas lareiras. 
Os animais são lindos e fofos. Seu cachorro é o mais lindo do universo, não? É uma verdadeira obra de Deus, seja qual for o seu. Antes disso, é uma verdadeira obra da natureza. O mar é o nosso melhor amigo. Principalmente em feriados prolongados, depois de ficar tanto tempo preso no prédio alto no meio da larga avenida, em meio a tantos outros. Que sina, trabalhar cinco dias. 

As coisas mais belas da vida são as mais simples. Hoje é dia do planeta, do nosso meio ambiente e do nosso lar, da nossa mãe natureza. Ora, era necessária tanta ênfase em “nossa”? Só para te lembrar que o que é nosso, é para cuidar. Então, cuide do seu planeta, das suas plantas… Não as use somente para enfeitar sua varanda. Trate tudo com carinho. Seu Deus te deu um mundo magnífico, o qual muita gente já destruiu por ganância. Aproveite ele, use e abuse, mas principalmente CUIDE. 

Pós Feriado

Ela vem mansinha e como quem não quer nada, começa a te cutucar lá no fundo do coração. Depois de alguns dias prolongados, onde algumas pessoas pararam suas atividades rotineiras, ela chega, acompanhada de você e sua preguiça de desfazer a mochila, colocar as coisas em ordem. A cama ainda estava bagunçada desde o dia que você saiu de casa, olhando para ela… Só vem a mente as lembranças doces dos primeiros dias que você mais torceu para que chegassem. Depois de sentar no sofá, você abre o computador, cruza as pernas no sofá, joga do lado uma pilha de papeis que prometeu se desfazer desde quarta, e entra em depressão quando o Faustão sai do ar e entra a música do Fantástico. A danada da saudade continua lá, não é? Você que passou esses cinco dias com alguém especial, bem ao seu ladinho, acordando e dormindo debaixo do barulho gostoso da chuva e o frio batendo nas janelas do seu quarto, agora chora ao ver a cama tão grande, somente com um monte de pendencias a resolver. Ora, não se preocupe, a semana é curta, cinco dias passam mais rápido do que você imagina, afinal… Meia noite já foi, segunda logo será anunciada oficialmente ao mundo.