+365

Fotografia: Beatriz Biella Martins (Local: Estrada)

Acabou… Secou, passou, sarou. Um ciclo fecha, o que você quer para o próximo? Pense sobre como a vida aconteceu esse ano. Se o seu primeiro dia mudou bruscamente, imagine os outros 364. Eu abracei muitas pessoas esse ano, senti saudades de casa, vi como a vida é dura com você e te dá vários golpes ao mesmo tempo… Eu me perdi na cidade – que talvez em habitantes – é a maior da América Latina. Vi a cidade com outros olhos, conheci vários buracos dela, ladeiras, arvores e pontos altos, tudo isso andando, sentada ou em pé no ônibus, de carro e muitas vezes, de metrô. Uma das melhores sensações para se conhecer um lugar, é sentir seu solo, foi assim que conheci São Paulo. Eu não beijei muito esse ano, mas com certeza amei e tive sentimentos passageiros – muitos resultaram na maioria dos meus textos aqui. Por isso, eu sempre digo: Não falta amor, falta amar. De amor, o mundo está cheio, só falta as pessoas se encontrarem e saberem como é que se lida com essas quatro letras que tem a força maior talvez do que de um furacão.
Eu dei muita risada, rir de lacrimejar; Tomei banho de cachoeira, fiz trilhas, fui para lugares perto de São Paulo, mas completamente diferente na realidade social. Pisei várias vezes no pé da minha mãe e no calcanhar da minha tia. Inúmeras vezes, passei correndo pelos corredores dos metrôs, por querer fugir rapidamente da aglomeração de pessoas, mas também por vezes, andei como se não tivesse mais nada para fazer da vida. Sentei em vários cafés, não para tomar um, mas para contar o dinheiro do ônibus. Talvez a história que meus amigos mais tenham escutado de mim esse ano foi: Fiquei três dias indo a pé para a faculdade por não ter dinheiro pro ônibus. Mas não, isso não é lamentação… Lembrando agora, foi bem produtivo, andar pela cidade, parar em um shopping, recostar na poltrona de uma livraria e adormecer com um livro no meu colo, inclusive um que tenho em casa: Noites Tropicais – Nelson Mota.
Em fevereiro, mudei para São Paulo, literalmente, do dia para noite. Me vi em um 60m², cheia de malas e tentando cada hora que passava, encaixar uma em um canto. Quebrei muita coisa dentro de um apartamento só, mas… Tudo que eu quebrava, além de resultar em uma discussão passageira, resultou no meu primeiro livro, que ainda não tenho um título, mas é um livro de crônicas.
Passei mal e conheci o hospital perto de casa. Fui atras de emprego do outro lado da cidade e com uma semana, querendo voltar para casa na Pascoa, fui demitida. Continuei estudando forte e firme e assim, encerrei o primeiro semestre sem nenhuma DP. 

Em Julho, soube o que era saudade, passei 30 dias dirigindo e peguei minha habilitação definitiva. Um mês com a carta na mão, tomei multa por ter passado no sinal vermelho, mas que desespero, menos dinheiro na minha conta que já não tinha conforto.
Voltei para São Paulo e em Setembro, fui contratada em uma livraria que até agora sou estagiária. Incrível, a  livraria que cheguei a entrar e disse: Nunca vou conseguir um trampo aqui, olha o nivel da livraria, dos clientes… Imagina a exigência que eles fazem pra ser vendedor aqui. A universidade, que em 2011 eu prestei vestibular, sai de cabeça baixa e pensei: Não entro nem por decreto, eu entrei.
Por isso, eu digo que é bom não deixar de acreditar nos seus desejos, nas suas vontades. Talvez o que você mais quer no momento, demore um pouco para chegar, por isso é necessário paciência para as coisas. Principalmente, paz e paciência com as pessoas. O mundo está mudando de uma forma muito rápida. Você teve 365 dias. Mesmo que eles não tenham sido suficientes, aproveite os próximos 365. Eu aconselharia a você não ficar planejando cada um e suas respectivas 24h. Não se prenda na rotina, sorria e siga sua vida. Lembre-se que um dia muda MUITO, imagina um ano. Por isso, respire, mantenha sua cabeça no lugar e queira de verdade, aproveitar! A gente nunca sabe como a vida vem pra gente a cada ano que nasce. A minha vida mudou e MUITO. Espero que a sua também tenha mudado, sempre para melhor. Será que os próximos 365 dias mudarão sua vida também?
Feliz 365 de renovação, paz, saúde, alegria, sorrisos, besteiras, comidas, bobagens, erros e acertos. Feliz 365 novos dias. 
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Democracia Universitária!

Fotografia: Beatriz Biella Martins.

Antes de você ler o texto abaixo, vou recapitular o que se passou na PUC nos últimos meses! 

Aconteceram eleições para a escolha do novo reitor da universidade. Foram 3 candidatos e as respectivas chapas fizeram sua propaganda e pediram para que a comunidade votasse! Todos participaram: Aluno, professor e funcionário. Assim que saiu o suposto resultado da lista tríplice, uma bomba veio junto: Eleições foram fraudadas e a igreja tomou a decisão pela comunidade. O Cardeal D. Odilo “indicou” e nomeou a Anna Cintra – do departamento da Letras – Português, e ULTIMA colocada nas eleições – à reitoria da Universidade. Como assim, indicou? Como assim alguém passa em cima da democracia universitária? É lógico que a comunidade não deixou barato e foi lutar por seus direitos. Dai, a greve geral, fora cardeal!
Então…

Hoje, ao chegar de mais um dia de trabalho, vejo no facebook a seguinte publicação: “Saiu a decisão jurídica, Anna Cintra tem que deixar a reitoria da universidade sob pena de multa diária de 10.000 reais. Marina Faraco (Advogada) encaminhará daqui a pouco a decisão judicial. A FUNDASP pode recorrer mas não tem jeito de ganhar”. Tanto suor, grito, apito, cadeiraço… Tanta manifestação – lembrando que sempre TODAS foram pacíficas – TUDO que fizemos valeu a pena. Eu digo, fizemos, pois NÓS, estudantes, professores e funcionários unidos e lutando por um único objetivo, vencemos! Eu sinceramente espero que, de agora em diante, as eleições sejam LIMPAS e TRANSPARENTES e claro DEMOCRÁTICAS! Afinal, é assim que desejamos que nossa universidade seja conosco! Não é só pelo fato de pisarmos nela todos os dias, mas também pelo de que sairemos profissionais formados e capazes de exercer tudo o que aprendemos em 4 anos. Profissionais, sempre nos espelhando naqueles que por horas através de palavras tentam nos ensinar somente o que é bom! 

Enfim, é isso o que esperamos de uma universidade onde nossos pensamentos sempre podem ser livres, nossas opiniões estão em cada muro, em cada carteira e em cada parede de lá. Ninguém é vândalo por isso, ninguém destrói o patrimônio,  aquele o qual chamamos de CASA, que abençoamos assim como nossa Pátria Amada! E é por isso que eu acredito na nossa pátria amada; quem tem voz pode SIM, fazer MUITO por um país. Afinal, nós pudemos fazer pela nossa universidade! Que continue assim, que não nos calemos e que continuemos lutando por tudo o que é NOSSO. Nosso por direito, a PUC é NOSSA! Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Que orgulho por fazer parte de sua história, de sua luta. Você é minha e de todos!

Reflexões, mês 12.

Desde que eu cheguei aqui, você me ensinou a ser forte, a ser dura. Seus muros me ensinaram a ser metade pedra, metade coração. Do mar à pedra, ao chão, ao cimento. Seus barulhos ao anoitecer formam uma sintonia tão perfeita quanto uma orquestra em um parque; Chega a ser tão perfeita pelo fato de ser publica e mais de 11.253.504 conseguirem escutar o mesmo ritmo e até participarem da orquestra, regendo juntas, cada uma em seu veiculo, preso em meio a tantos outros. A cidade surpreende com suas faixas para a esquerda, direita e seus viadutos, cada um levando à lados opostos da cidade, realidades diferentes em questão de horas. Uma viagem muito louca, socialmente falando.
Você me mostrou o quanto é importante amadurecer, criar responsabilidade, florescer e crescer cada dia mais um pouco. Entre seus céus alaranjados e empoeirados, eu vejo o por do sol, eu vejo o céu estrelando a cada tempestade que passa; tempestade essa que leva consigo todas as energias negativas e descarrega somente as positivas.
Seus muros, grafitados e até os pixados, me mostram coisas muito interessantes para se registrar por uma fotografia, interesses em um espaço pequeno, um espaço que é transformado em arte, cultura, popularidade.
Eu aprendi como se deve conversar com as pessoas, como as coisas funcionam na pratica e na burocracia, literalmente longe do bem estar. Mas, apesar de tudo, também aprendi a saudade, a minha saudade, da minha casa e da minha família. Fiquei sensível, até a mais do que já era de natural, chorei muito em noites que não vi a hora passar e respirei fundo, pois descobri que as estradas tem a função de conectar as pessoas.
Eu sentia certo rancor de você, não queria te aceitar, te achava feia demais. Com o passar do tempo, eu fiz toda a dor de cabeça se transformar em amor, o seu amor que é acelerado, que não quer perder tempo e nem oportunidade; mas é um amor bom, é um amor que faz crescer e progredir sempre.
Debruçada na janela, eu observo suas luzes tão belas, agora enfeitadas no ritmo do natal. Com meus olhos, capto o lado A e o lado B da cidade, ambos belos e sinceros. Apesar de toda a maturidade que você me fez ganhar, me fez amar também! Ainda amo um certo alguém, mas prefiro manter silencio para quando a hora certa chegar, o amor nascer, ou não… De qualquer forma, obrigada por me fazer amar, certo alguém e você, São Paulo. 

Amor !

Foto: http://www.weheartit.com

Hoje eu vou contar à vocês, uma das cenas mais emocionantes que eu já vi em toda a minha vida. O local é um centro comercial, talvez o maior buraco que suga o capital das pessoas: Shopping Center 3, localizado na Av. Paulista x Rua Augusta!

Aproximadamente no relógio eram 20h e eu estava andando para achar a minha operadora de celular. De repente, me chama a atenção um senhor em uma cadeira de rodas, do starbucks, sentado na praça de alimentação. Ok, é só um cadeirante que aparenta ter uns 80 anos. Subo, logo em seguida a escada rolante, olho para baixo, o mesmo senhor continua sentado, mas dessa vez, algo me chama mais atenção: Tinha um cachorro sentado em baixo da cadeira. Um CACHORRO! Não latia, não estava de pé… Estava sentadinho, como se estivesse no sofá de casa. 
Pois bem, o senhor estava ali… Tomando seu lanche do mc donalds, com um pouco de dificuldade para abrir o canudo! E o cachorro? Permanecia ali, sentado em silencio… 
Ai você se questiona o que é o amor! Tenta coloca-lo em um milhão de definições, achar palavras certas e expressar de todas as formas. Longe de ser só sexo, só desejo carnal e atração física, o amor talvez seja isso, TALVEZ! Mais do que qualquer coisa e antes de tudo, o amor é companheirismo, lado a lado! Não precisa nem falar, como era com o senhor e o cachorro! Só o fato de estar ali, no mesmo espaço, já vale muito mais do que qualquer coisa. 
Não tente definir algo, tente amar!