Pura Malandragem

     Nasceu em 1962, carioca, voz grave, meio rouca, tatuagens pelo corpo, desbocada e autêntica. Assim era Cássia Rejane Eller, nome em homenagem á Santa Rita de Cássia. Aos 14 começou seu interesse por música ao ganhar seu primeiro violão. Gostava de tocar Beatles. Hoje, 29 de Dezembro completam-se 10 anos de sua morte. Deixou uma legião de fãs, um filho chamado Francisco (evocado carinhosamente de Chicão) e uma saudade enorme.
   
   Tinha uma presença de palco surreal. Eu não cheguei a ir a um show dela, mas não precisava acompanhar pessoalmente, para saber que em palco, a presença era própria dela, muito marcante. Chicão foi fruto de uma relação com o baixista de sua banda, Tavinho (faleceu em um acidente de carro). Cássia, tinha sua homossexualidade assumida e sinceramente, não dava importância para o que diziam na rua. Uma vez em entrevista a MTV, admitiu ter sempre mais amigos homens do que mulheres. Quando criança, sua mãe sempre a arrumava com colares, brincos e pulseiras mas Cássia tirava logo. Nunca gostou do jeito feminino de ser, vestir e portar.

     Chicão quando tinha dois anos, disse uma vez á mãe:
– Você está machucado.
– Ela respondeu: É machucada, sou mulher.
– Chicão: Mas mulher não namora com mulher
– Cássia: Lógico que namora, eu namoro a Maria Eugenia
– Chicão: Aaah.
   Chicão sempre chamou as duas de mãe e Maria Eugenia ajudou a cria-lo. Ele sempre soube que seu pai havia morrido em um acidente de carro.

Cássia Eller interpretou de Cazuza (Todo Amor Que Houver Nessa Vida) e Renato Russo (Primeiro De Julho) á Jimi Hendrix (Hear My Train A Comin’). A relação com samba e forró começou quando precisaram de uma contra alto, ela de um grupo de amigas que tinha, era a única que tinha esse tipo de voz. Ficava muito constrangida e se sentia intimada com a fama e a mídia. Em entrevistas, apesar de constrangida algumas vezes, sempre aparecia muito sorridente e espontânea. As gravações de shows e dvds, eram feitas ao vivo, como era de sua preferencia.

Faleceu muito cedo, com apenas 39 anos, vítima de um infarto miocárdio repentino. Na época, suspeitaram e apontaram como primeira causa, overdose pois ela era usuária de cocaína. A hipótese foi descartada pelos laudos periciais do IML (Instituto Médico Legal) do Rio de Janeiro.  
Anúncios